Yield Farming: Entenda o que é e como funciona

Quer saber a importância do yield farming? Acesse e descubra o que é a prática, como funciona, vantagens e riscos da prática.

Por
Luiza Brito
28/9/2021
Yield Farming: Entenda o que é e como funciona

É possível ter uma estratégia de renda passiva com criptoativos? Será que vale a pena? Em 2020, houve uma série de inaugurações de projetos visionários voltados para as Finanças Descentralizadas, o que também trouxe a estreia de outras estratégias e novas formas de fazer o seu dinheiro render com os criptoativos. 

No artigo de hoje, vamos aprofundar sobre uma técnica que tem ganhado notoriedade no mercado cripto, principalmente no que tange a Tokens DeFi, ou seja, aqueles tokens que foram desenvolvidos dentro de um sistema descentralizado específico. Confira o que vamos discutir:

  • Yield farming: o que é?
  • Como funciona o yield farming?
  • Como calcular os rendimentos do yield farming?
  • Quais as vantagens e riscos de fazer farming?
  • Melhores plataformas para fazer yield farming 

O que é Yield Farming?

O yield farming é uma estratégia recém introduzida no mercado cripto, que ganhou maior usabilidade principalmente depois que as Finanças Descentralizadas decolaram e começaram a ganhar mais espaço no mercado cripto. Inclusive, essa estratégia foi uma solução introduzida nas redes DeFi para tornar viável novas maneiras de negociação e rendimentos com os criptoativos.

Yield farming, na tradução literal para o português significa produção agrícola, mas a prática também é conhecida como mineração de liquidez. De maneira bem objetiva, a essência do yield farming, ou da mineração de liquidez, é ser um processo que possibilita com que usuários depositem e bloqueiem algum criptoativo em um sistema e que sejam recompensados por isso de alguma maneira, enquanto geram liquidez para a rede.  Esses  usuários são chamados de Provedores de Liquidez, ou simplesmente LP.

Isso acontece pois o ato de manter esses ativos bloqueados em uma plataforma aumenta a liquidez do mesmo, ou seja, garante que a rede vai conseguir suprir a sua própria demanda. Aumentar a liquidez da rede é o objetivo principal desta prática, do ponto de vista da plataforma, e recompensar os detentores de criptoativos foi a maneira encontrada para que eles continuem interessados em manter os ativos bloqueados, sem movimentação. 

Entender o farming é mais fácil do que parece, basta pensarmos como funcionam os trades em corretoras de cripto centralizadas, como a Coinext.

Se você está querendo vender suas criptomoedas, é preciso que haja outro investidor interessado em comprá-las. Essa é a função do Livro de Ofertas, listar as intenções de compra e venda dos investidores para que a corretora faça o pareamento entre os mesmos e o trade ocorra. Ou seja, é fundamental que exista um fundo desses ativos, uma espécie de reserva que garanta que o investidor terá suas criptos, seja para continuar negociando ou para sacá-las. 

Quando falamos em yield farming, é uma prática voltada para corretoras que funcionam em modelo descentralizado, cuja sigla é DEX. Essas exchanges utilizam como base redes blockchains de outras criptos para conseguir descentralizar o serviço de trade, por meio da Criação de um Mercado Automatizado, ou AMM, sigla do termo em inglês.

Nestes mercados, a compra e a venda dos criptoativos acontecem por meio de um pool de liquidez, que é justamente este fundo criado pelos usuários que mantêm seus tokens bloqueados na rede (o que também é chamado de staking) e constroem em conjunto essa liquidez.

Como uma forma de recompensá-los pela prática do staking, eles recebem uma porcentagem das taxas de trades que acontecem naquela rede, utilizando aquele pool específico do usuário, e podem ainda ser recompensados também ganhando algum token da plataforma.

Quando comparamos essa técnica com o mercado tradicional, fica ainda mais claro o entendimento. Se uma pessoa procura um banco para realizar um empréstimo, quando ela for devolver este dinheiro, o banco lhe cobra juros em cima do valor inicial. No farming, os LPs são quem receberão os “juros”, por terem emprestados seus criptoativos por determinado tempo.

Como funciona o yield farming?

Primeiramente, o investidor LP precisa escolher um pool deseja participar. Em seguida, ele precisa depositar seus tokens no pool numa proporção de 50:50. Na prática, isso quer dizer que os valores depositados em pares de criptoativos precisam ser correspondentes. Se você for fazer um depósito de SUSHI e ETH por exemplo, precisa ser R$100 em SUSHI e R$100 em ETH. 

Os pools de liquidez são basicamente contratos inteligentes, que vão bloquear os tokens e o investidor se torna oficialmente um Provedor de Liquidez. O retorno do LP depende do valor que ele irá investir e das regras do protocolo a respeito do percentual que o LP recebe das taxas de transação.

Existem também maneiras de potencializar essa prática. Alguns usuários pegam os rendimentos do farming feito em uma plataforma X, por exemplo, compram mais pares de tokens e os depositam em uma outra plataforma Y. Assim, você rentabiliza os lucros obtidos com seu empréstimo. Essa prática é avançada e é conhecida como Yield Hacking.

Como calcular os rendimentos do Yield Farming?

Em geral, os cálculos dos  rendimentos dessa prática são anuais e podem acontecer de duas formas principais: APR ou APY.

No APY, Rendimento Percentual Anual, o cálculo é feito com base em uma fórmula que considera juros compostos, que é basicamente reinvestir diretamente os lucros obtidos, com a intenção de gerar ainda mais lucros. Enquanto no APR, Taxa de Porcentagem Anual, a fórmula é baseada em um cálculo de juros simples. Ambas as fórmulas são as mesmas utilizadas pelo mercado tradicional. 

Sabendo disso, cabe ponderar que o resultado pode não ser tão assertivo, e que essas fórmulas  funcionam mais como estimativas ou projeções, uma vez que estamos lidando com mercados totalmente diferentes. O mercado cripto é altamente volátil, sendo mais complicado traçar métricas para o longo prazo. 

O mercado de yield farmings se destaca dentro do meio cripto como algo ainda mais acelerado, arriscado e dinâmico, sendo voltado para traders experientes e que ficam por conta da atividade. Além do que, as recompensas podem mudar nesse percurso, uma vez que os pools aumentam e mais provedores entram nele. 

Quais as vantagens e principais riscos do yield farming?

As principais vantagens do yield farming, do ponto de vista do investidor, é que ele consegue fazer seu rendimento ser bem aproveitado e é recompensado por isso. As recompensas, conforme explicado anteriormente, podem vir por meio de uma participação percentual nas taxas de transações que acontecem no pool, por meio da recompensa com tokens nativos da rede ou por ambas as recompensas juntas. 

Os tokens nativos das redes geralmente também dão ao investidor algum tipo de benefício específico, sendo o mais comum a governança, que é quando o detentor do token adquire poder de voto e participação ativa em decisões importantes do projeto. É uma prática que tem funcionado muito bem para que os investidores continuem depositando tokens no pool de liquidez. 

Como mencionado anteriormente, também tem a vantagem de que os LPs podem resgatar estes tokens nativos da rede, aplicá-los em um outro pool de liquidez e assim ir multiplicando seus rendimentos, sem mudar a estratégia. 

Mas claro, assim como tudo que envolve qualquer tipo de investimento, o yield farming tem seus riscos. Os principais riscos são em torno da alta volatilidade das criptos e da falta de liquidez que pode acontecer, por exemplo quando ocorre uma queda brusca dos preços dos ativos bloqueados, impossibilitando o trader de fazer qualquer manobra para reaver o prejuízo, situação conhecida como Impermanet Loss, ou perda impermanente. 

Outro risco importante a ser mencionado é aquele voltado para os cibercrimes, fraudes e golpes. Como os tokens são bloqueados por meio de contratos inteligentes, se algum hacker encontrar uma falha no código do contrato ele poderia facilmente roubar os fundos. Por isso é importante verificar se o contrato inteligente vinculado aquele pool tem uma equipe de auditores por trás, ou algo semelhante que possa garantir a autenticidade e segurança do pool.

Melhores plataformas para fazer yield farming

Aave

Aave logomarca - Protocolo de DeFi famoso pelo yield farming
(Imagem: Freepik)

O protocolo da Aave foi criado por Stani Kulechov em novembro de 2017. Por ele é possível emprestar e tomar emprestado várias criptomoedas, como stablecoins, DAI, USDT, BAT, e yearn.finance. 

Além disso, eles também recompensam os investidores com “aTokens”, que basicamente representa seu token nativo, uma versão dos tokens que foram depositados e bloqueados. O projeto Aave é atualmente o que possui maior Valor Total Bloqueado (TLV) dentre os projetos DeFi, o que indica que ele é um protocolo seguro e que tem apresentado boa rentabilidade aos usuários.

Compound

Protocolo Compound - plataforma de DeFi que oferce yield farming
(Imagem: Money Times)

O Compound possui um funcionamento semelhante ao da Aave, uma vez que é possível conceder e tomar empréstimos de criptomoedas. Nele, você também recebe o token nativo da rede, o COMP. Um bom diferencial da Compound é o fato de que a plataforma tem parcerias com diversos custodiantes de criptomoedas, o que torna a gerência desses ativos mais confiável e traz mais segurança aos investidores.

Uniswap

Uniswap - protocolo DeFi que oferece a prática de yield farming
(Imagem: site oficial da Uniswap)

A Uniswap é uma exchange descentralizada (DEX) que foi uma das pioneiras neste setor e no nicho das DeFi. Uma das principais vantagens da Uniswap é que ela oferece a recompensa também por meio de seu token nativo, o UNI, que é um token de governança. Ou seja, os provedores de liquidez da Uniswap também têm poder de voto e participação ativa nas decisões do protocolo.

Sushiswap

SushiSwap - protocolo DeFi que oferece a prática de yield farmings
(Imagem: Market Realist)

A Sushiswap também é uma DEX que originou-se por meio de um fork da Uniswap, ou seja, por uma bifurcação do protocolo. Seu funcionamento envolve, sobretudo, os pools de liquidez e a Criação de um Mercado Automatizado, AMM. Os provedores de liquidez da rede, além de ganharem participação nas taxas de transação do pool, recebem também o seu token nativo SUSHI. O SUSHI, assim como UNI, é token de governança, portanto seus detentores ganham participação ativa nas decisões do projeto.

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