DeFi - Finanças descentralizadas: O que são?

Você conhece o termo DeFi? Também chamado de finanças descentralizadas, entenda a sua relação no mercado de criptomoedas.

Por
Luiza Brito
4/5/2021
 DeFi - Finanças descentralizadas: O que são?

Provavelmente você já deve ter escutado essa sigla em algum momento da sua jornada no universo cripto: DeFi. Como sempre falamos aqui no nosso blog, acompanhar o mercado cripto não se resume a acompanhar a cotação das suas moedas favoritas, e também não se resume à análise técnica, vai muito além disso. Gosto de utilizar a palavra universo pois realmente tudo que se relaciona com criptomoedas são conceitos amplos, que trazem também uma infinidade de possibilidades e abrem um leque de oportunidades inovadoras a serem exploradas. Confira o que você vai aprender no artigo de hoje:

  • Como DeFi funciona?
  • DeFi e os Criptoativos
  • DeFi e o Ethereum

Mas vamos começar bem do começo, DeFi é uma sigla para Finanças Descentralizadas, ou Decentralized Finance, em inglês. É basicamente um novo sistema financeiro que envolve construir e oferecer produtos e serviços financeiros de modo descentralizado, a partir de uma blockchain. Ou seja, estes produtos e serviços financeiros seriam independentes de unidades centrais reguladoras, como instituições financeiras, bancos e até mesmo governos.

Como vocês já devem saber, o Bitcoin foi a primeira criptomoeda que trouxe o conceito de descentralização e de uma moeda com funcionamento 100% digital. Depois dele, vários estudiosos e empreendedores pensaram que, a partir da tecnologia blockchain, seria possível descentralizar outras coisas também. 

O desenvolvimento desse novo sistema financeiro abriu muitas portas, não só para criptomoedas, mas para todos os criptoativos.

2020 e 2021 estão sendo anos que contribuíram muito para o crescimento deste mercado, que foi fortemente impactado pelas últimas valorizações expressivas das criptos. Isso acontece porque os produtos e serviços das DeFi precisam de uma plataforma de blockchain para funcionarem e também de uma criptomoeda que vai manter rede (plataforma) de blockchain funcionando. Consequentemente, à medida que mais instituições e até pessoas físicas se interessam pelo que está sendo oferecido pelas DeFi e vão aderindo tais serviços e produtos, mais a criptomoeda da rede de blockchain que está sendo utilizada se valoriza perante o mercado. 

Uma importante métrica para mensurar o crescimento do mercado de Finanças Descentralizadas é o valor total bloqueado (TVL), que corresponde ao valor investido naquele mercado. De acordo com uma publicação da Valor Investe, o valor total bloqueado das DeFi passou de 652 milhões para 14,7 bilhões de dólares somente em 2020. 

Como DeFi funciona

Conforme explicamos, as Finanças Descentralizadas foram uma recriação do sistema financeiro tradicional. No nosso sistema financeiro habitual, para qualquer serviço ou produto que você deseje adquirir existem centenas de profissionais trabalhando por trás da cortina. Até os que consideramos os serviços mais simples, como realizar uma transação financeira, precisam existir desenvolvedores, programadores, analistas de sistema, auditores e por aí vai...Imagina a proporção que isto não toma quando estamos falando de serviços mais complexos, como por exemplo um empréstimo, ou uma transação internacional? Sem mencionar os custos e o tempo que é necessário para que o trabalho passe por todas essas pessoas para, enfim, ser concluído.

Isto acontece porque o sistema é centralizado, ou seja, é um sistema altamente burocrático, e conta com vários intermediários no processo, que encarecem os serviços e os tornam pouco práticos. Foi pensando justamente nessas limitações do serviço tradicional que surgiu o desejo de descentralizar tal segmento. Na prática, isso quer dizer que os serviços seriam muito mais acessíveis, consideravelmente mais rápidos, já que eliminam a participação destes intermediários, e mais baratos também. 

As DeFi estão intrinsecamente relacionadas aos contratos inteligentes, ou smart contracts. Estes contratos são como protocolos pré-programados nas blockchains. São como acordos de contratos comuns, nos quais são inseridas as condições das partes envolvidas. Uma vez em que se atinge tais condições do contrato, ele se autoexecuta, de maneira automática, sem necessidade de nenhum órgão intermediando ou regulando a execução dos contratos.  

Estes contratos podem ser de diversas naturezas, os mais comuns são voltados ao mercado financeiro mesmo, a seguros, empréstimos, conversão de moedas fiduciárias, derivativos e etc. Mas, na prática, seria possível criar contratos inteligentes para várias outras finalidades, das mais superficiais às mais ruptivas. Especialmente quando se usa tal tecnologia integrada à alguma outra, como inteligência artificial, internet das coisas ou outras aplicações descentralizadas, os dApps.

Por este motivo as criptomoedas que contam com blockchains que suportam contratos inteligentes estão intimamente relacionadas às Finanças Descentralizadas. A principal delas é a rede Ethereum, que comporta smart contracts e foi a pioneira ao inaugurar este tipo de serviço financeiro descentralizado, não é a toa que é chamada como a segunda geração de criptomoedas. Depois da Ethereum, vários projetos de plataformas de blockchains foram sendo desenvolvidos, com propostas tão inovadoras quanto a da Ethereum, como a Cardano (ADA), Chainlink (LINK) e Stellar (XLM).

DeFi e os criptoativos

Conforme explicamos, as DeFi são uma reconstrução do sistema financeiro-bancário tradicional, que adaptou alguns serviços já existentes como o de empréstimos, seguros, sistemas de pagamentos e até corretoras descentralizadas, mas também foram responsáveis pelo impulsionamento de vários outros criptoativos que até alguns anos atrás não existiam, como tokens sintéticos, NFTs, derivativos, e é claro, criptomoedas. 

Como é um mercado em plena expansão e a cada momento nos deparamos com uma novidade diferente, no sentido de criação de ativos para funcionar dentro deste novo sistema financeiro, a Messari, multinacional especialista em dados e inteligência de mercado sobre o universo cripto, construiu uma explicação para facilitar o entendimento do que são e o que pode vir a ser ativos financeiros descentralizados. 

De acordo com a gigante Messari, existem alguns requisitos que ativos financeiros precisam cumprir para serem considerados como descentralizados. 

Primeiramente, o mais óbvio mas que precisa ser dito, o ativo precisa ter seu uso claramente voltado à aplicações financeiras. Entram aqui todos os produtos que já mencionamos, como os empréstimos, taxas de conversão entre moedas, ativos sintéticos, aplicações financeiras, derivativos, gestão de ativos e mercados de previsão.

Também precisam conter um código-fonte aberto, ou seja, que qualquer pessoa possa acessar o código e usá-lo como quiser, ou desenvolver demais projetos a partir deste código, sem que seja necessário pedir permissão de um intermediário. Essa condição também é chamada de apermissionamento, ou seja, não há necessidade de uma terceira parte permitir tal acesso. 

Os ativos descentralizados não podem ser custodiados por nenhum terceiro e você pode utilizar um pseudônimo,  significa que você não precisa se identificar na plataforma, caso não queira. E por último, a condição mais óbvia também, tais ativos precisam ter uma governança descentralizada, ou seja qualquer decisão, melhorias, ou mesmo alterações administrativas que o ativo ou a rede em que está inserido sofrerá, não podem partir de uma única entidade. Geralmente ocorrem por meio de um consenso entre os usuários, investidores e todos aqueles parte da comunidade do ativo. 

Quando falamos em criptoativos, basta aplicar tais condições sobre aqueles ativos que utilizam tecnologias criptografadas. Os criptoativos mais promissores atualmente nas DeFi são realmente as criptomoedas e os tokens que são desenvolvidos dentro dos aplicativos descentralizados (dApps) da rede, que muitas vezes servem para remunerar os usuários dos aplicativos. 

O impacto que esta releitura do nosso sistema financeiro tradicional teve na sociedade foi muito grande e repercute em diferentes sentidos. Para os criptoativos, como já explicamos, isto significou serviços financeiros mais fáceis de serem acessados, mais rápidos, com taxas bem menores. Consequentemente, aumenta-se a liquidez, pois toda a burocracia e tempo que os sistemas centralizados utilizam em seus serviços, interferem na facilidade que você tem para sacar o seu dinheiro. 

DeFi e o Ethereum

A rede Ethereum foi a grande pioneira que inaugurou o uso da tecnologia blockchain para descentralizar outras coisas. Vitalik Buterin, seu criador, foi quem percebeu que seria possível oferecer outros serviços financeiros digitalizados, que se autoexecutam e que são descentralizados, ou seja, não possuem uma instituição central regulamentando seu funcionamento. A ideia por trás do conceito é trazer cada vez mais o controle do nosso próprio dinheiro para nós mesmos. 

A Ethereum é uma grande plataforma computacional cuja sua blockchain também suporta o desenvolvimento de dApps e serviços financeiros descentralizados. Seu criptoativo, ou token, é chamado de Ether e possui uma função fundamental de manter a rede Ethereum funcionando, como um combustível da mesma. À medida que mais players do mercado foram aderindo ao uso de serviços dentro da plataforma, mais a criptomoeda conseguiu se valorizar no mercado, pelo aumento na sua demanda. 

Por isso a Ethereum foi reconhecida como a segunda geração de criptomoedas e é hoje a maior altcoin em termos de capitalização de mercado, já com um montante de 380 bilhões de dólares, de acordo com o CoinMarketCap. E ela segue sem dar qualquer sinal de recuo. 

Mas, já estamos vendo o desenvolvimento de novas plataformas de blockchains que fornecem tais serviços descentralizadores de finanças e será  interessante assistir uma briga da grande Ethereum contra tais novas redes. De qualquer forma, é fundamental acompanhar o que ocorre no ecossistema das Finanças Descentralizadas, pois não há dúvidas que tudo reflete nas criptomoedas e nos criptoativos ligados ao sistema. 

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