Token: O que é e qual a diferença para criptomoeda?

Você já deve ter ouvido falar de Token, certo? Mas você sabe o que é um token? O que diferencia token de criptomoeda? Entenda mais sobre o assunto.

Por
Luiza Brito
11/5/2021
Token: O que é e qual a diferença para criptomoeda?

Estudar e aprofundar os conhecimentos sobre investimentos e finanças de um modo geral é importante para sabermos diferenciar alguns conceitos que são facilmente confundidos, ou até mesmo, tidos como sinônimos. No artigo de hoje você vai compreender de uma vez por todas o que são tokens e como diferenciá-los das criptomoedas.  Além disso, passaremos pelos tópicos a seguir:

  • O que é token?
  • Como funciona?
  • Qual a diferença entre Token e Criptomoeda?
  • Quais as vantagens de tokenizar um ativo?
  • Negociar frações do ativo
  • Democratizar o investimento
  • Transparência
  • Segurança
  • NFT, os non-fungible tokens

Vamos lá?

O que é token?

A palavra token possui dois conceitos principais que se diferem quanto à alguns detalhes específicos sobre a funcionalidade do token e também sobre o contexto em que se encaixam.

O token, fora do meio de investimentos, representa um sistema gerador de senhas para quando os usuários recorrem à serviços do banco digitalmente, ou e-banking. Neste sentido, o token é um código numérico instantâneo e auto deletável. Sua principal função é proteger o cliente contra fraudes e aumentar sua segurança de um modo geral. Neste caso, ele também pode ser chamado de token de direito de acesso, ou one time password (senha descartável), com a sigla de OTP.

Esse código gerado será a senha instantânea do cliente, para que ele acesse os serviços requisitados. É semelhante à tecnologia de autenticação em dois fatores, como por exemplo, no qual a tecnologia precisa confirmar que quem está ali colocando os seus dados pessoais para ter acesso à sua conta no banco e à serviços é realmente você. Geralmente, são enviados emails ou SMS pedindo que a pessoa confirme de alguma outra forma que realmente é ela quem está acessando. No caso dos bancos, a forma mais utilizada é esse código token que se transforma em uma senha temporária.

No entanto, o conceito de token que vamos aprofundar hoje é relacionado ao universo dos investimentos, quando a palavra é usada para representar algum ativo financeiro, ou seja, um bem que possua valor de mercado, podendo ser um objeto, um contrato, uma moeda ou até mesmo uma propriedade. Praticamente quase tudo pode ser transformado em token, ganhando uma representação de seu valor digitalmente.

E também, há a possibilidade de um token funcionar como um criptoativo, quando ele é inserido em uma blockchain. Dentro da blockchain os tokens funcionam como uma espécie de “contratos”, que passam a custódia de algum ativo para aquele que possui o token. Ou seja, tais tokens assumem o papel de ter um poder de propriedade sobre algo.

A FINMA, órgão governamental suíço responsável pela regulação financeira no país,  publicou em fevereiro de 2018  algumas diretrizes para definir o que são tokens, separando-os por categorias: tokens de segurança, ativos financeiros, utilidade ou pagamento. Tais definições podem deixar mais claro as variações que existem para o significado de token no mercado financeiro:

Token de segurança - São tokens emitidos por uma ICO, Initial Coin Offer, que significa oferta inicial de moeda. Geralmente acontecem quando novos projetos empreendedores precisam levantar investimentos, então as pessoas compram essa oferta inicial dos tokens na expectativa de lucrar no futuro, quando o projeto estiver funcionando.

Token de patrimônio - É o token que representa uma parte de algum estoque ou patrimônio da empresa que o emite. 

Token de utilidade - Também chamados de tokens de aplicativos, referindo-se aos dApps (aplicativos descentralizados) de algumas plataformas de blockchains. São usados para fornecer às pessoas o acesso a algum produto ou serviço.

Tokens de pagamento - São aqueles tokens cuja única finalidade é funcionar como um meio de pagamento por algum bem ou serviço.

Porém, gostaria de ressaltar também que, quando a palavra token é utilizada num contexto de blockchain, ela é comumente associada às criptomoedas. Portanto, quando falamos, por exemplo, sobre a plataforma de blockchain da Cardano, podemos dizer que o seu token é a criptomoeda Cardano (ADA), assim como na Chainlink, sua criptomoeda também pode ser chamada de token LINK. Por uma questão de costume, a palavra token pode, em alguns momentos e contextos, funcionar como sinônimo de criptomoeda. No entanto, é importante que você saiba diferenciar os dois.

Como funciona

Para entender bem como funcionam os tokens é fundamental entender o funcionamento das criptomoedas e da blockchain, já que os conceitos estão intimamente ligados. 

Os pontos mais importantes que precisam estar claros para você à respeito das criptomoedas é que elas são moedas digitais descentralizadas, ou seja, não são controladas e regulamentadas por nenhuma instituição central, são utilizadas para fins de transferência de dinheiro, investimentos ou reserva de valor. E blockchain é a tecnologia que viabiliza todo esse processo de descentralização das finanças, funciona como um livro contábil aberto, no qual são registradas todas as transações que ocorreram dentro dela, relacionadas a uma criptomoeda específica.

As criptomoedas são classificadas como um tipo de ativo financeiro, também chamadas de criptoativos, e cada um possui sua própria blockchain, a rede na qual circulam dados referentes às movimentações dos usuários sobre a moeda. Sendo assim, cada computador que roda o software da criptomoeda em questão, torna-se uma peça compositora desta grande rede descentralizada. Dessa forma, em busca de aproveitar a tecnologia descentralizadora das blockchains, foi desenvolvido os tokens,  para descentralizar também a sua função de “poder de propriedade” de algum outro ativo.

Ou seja, para que um token seja desenvolvido, ele necessariamente precisa estar inserido em uma blockchain de alguma criptomoeda. Assim, o token também usufrui de tudo que a tecnologia proporciona, rapidez e segurança para transferência de valores, transparência e anonimato, e é claro, a descentralização.

Existem diversas maneiras de se utilizar os tokens no contexto de investimentos em criptoativos. 

Uma das principais funções de alguns tokens relacionados à blockchains é que eles são utilizados para manter a rede em que estão inseridos funcionando. É o caso da Ethereum, por exemplo, que funciona como uma plataforma de blockchains e utiliza o seu token ETH como uma espécie de combustível para se manter. 

Uma outra funcionalidade extremamente importante de alguns tokens é quando eles fazem parte do protocolo de consenso utilizado pela blockchain em questão. Estes protocolos explicam como funciona o processo de validação das transações que ocorrem dentro daquela blockchain e que, geralmente, recompensa quem está exercendo esta função, os chamados de mineradores ou validadores.

Os protocolos mais comuns são o Proof of Work (Prova de Trabalho), Proof of Stake (Prova de Participação) e há ainda algumas variações dos dois, como por exemplo o DPoS, prova de participação por delegação, protocolo utilizado pela blockchain da EOS. 

Os tokens também podem funcionar como um meio para captação de investimentos necessários para o desenvolvimento de novos projetos ou serviços que utilizam a tecnologia blockchain. Neste caso, funcionam de maneira análoga aos títulos de ações, no qual são vendidas “partes” da empresa, em formato de tokens, e aqueles que os compram se tornam “proprietários” daquela fração da empresa. 

Além disso, também são utilizados nos smart contracts, contratos geralmente relacionados a seguros, produtos e serviços financeiros,  que rodam dentro de alguma rede de blockchain, como a Ethereum e a Cardano, chamados de tokens contratuais. A partir da posse deste tipo de token, os usuários podem usufruir livremente dos serviços, como se fosse uma garantia do direito de acesso deles. 

E há ainda o uso nas aplicações descentralizados , os dApps, que são aplicativos construídos dentro de uma plataforma de blockchain que oferecem serviços e produtos diversos, de maneira descentralizada, que remuneram os seus usuários em tokens. Não é uma regra para todos os dApps, mas alguns utilizam essa remuneração em tokens para os usuários como uma forma de manter o aplicativo em uso, e é claro, para dar o direito de acesso aos usuários.

Qual a diferença entre token e criptomoeda

  • Como são criados

A primeira diferença que gostaria de ressaltar é a maneira em que são criados. As criptomoedas são complexas de serem desenvolvidas, enquanto os tokens são relativamente simples, sobretudo para aqueles que já possuem algum conhecimento em programação. Além disso, as criptos são nativas de suas próprias blockchains enquanto para que os tokens sejam criados, eles precisam necessariamente estar inseridos em uma blockchain.

  • Objetivo de cada um

As criptomoedas foram criadas com o intuito de revolucionar o nosso sistema financeiro, descentralizando os serviços e produtos e oferecendo uma maneira segura de realizar transações, eliminando diversos intermediários que fazem parte do sistema. Economizam tempo, recursos e otimizam processos financeiros. Os tokens não foram criados para representar uma ideia de tamanha repercussão, como as criptos, possuem funcionalidades essenciais, mas não foram desenvolvidas com o intuito de revolucionar o sistema, mas sim de complementá-lo.

  • Principais funções

A função dos dois também é um ponto de diferença. As criptomoedas funcionam como moedas fiduciárias, passíveis de serem usadas na troca por produtos ou serviços, podem ser usadas como reserva de valor, e como já estamos cansados de saber, são também uma ótima opção para compor uma carteira de investimentos. Já os tokens desenvolvidos dentro de blockchains, são mais utilizados para manter as redes funcionando, para ativar recursos específicos dentro dos dApps, ou para representar digitalmente alguma coisa física de valor.

Por exemplo, se você desejasse vender seu carro, poderia criar um token que representasse e vendê-lo por meio de um contrato inteligente. 

Quais as vantagens de tokenizar um ativo

Negociar frações do ativo

Conforme falamos anteriormente, os tokens podem ser utilizados para representar digitalmente o valor de um ativo. No exemplo em que demos acima, sobre transformar o carro que quer vender em um ativo para ser vendido por meio de um contrato inteligente na blockchain, podemos perceber como funciona a tokenização de um ativo. 

Porém essa prática pode ser aplicada em vários outros ativos, como imóveis, precatórios, metais preciosos, podem ser tokenizados também propriedades intelectuais e ativos intangíveis, como veremos mais abaixo. Também podemos tokenizar instrumentos financeiros como fundos de investimento, títulos e ações.

Isso traz a possibilidade de se negociar frações do ativo, assim como acontece nas criptomoedas. Dessa forma, os ativos tornam-se mais acessíveis, pois as pessoas não precisam mais dispor da quantia total necessária para negociar o bem por inteiro, ela pode investir o dinheiro que tem disponível para tal.

Democratizar os investimentos

O tópico acima nos leva a entender esta vantagem. Possibilitar que as pessoas consigam comprar e investir em ativos com o dinheiro que têm disponível para isso, sem ser necessário despender de uma quantia muito maior para comprar 1 unidade inteira, é uma forma de democratizar os investimentos. Mais pessoas, com diferentes níveis de classe social, poderiam começar a investir. A atividade não ficaria restrita à pequena parcela da população e alcançaria muito mais pessoas.

Transparência

Todas as informações relacionadas ao ativo em questão são registradas na blockchain, que é um livro contábil público. Permite maior controle de quais endereços na rede controlam cada token.

Segurança

Naturalmente o token foi criado para ser um sistema que reforce a segurança de transações financeiras ou de acesso à serviços financeiros a partir de uma conta online em bancos. Porém tokenizar um ativo dentro de uma blockchain traz mais segurança para a custódia do mesmo, uma vez que não ficará por obrigatoriedade como custódia de uma terceira entidade. Além disso, as transações que ocorrem com este token dentro da blockchain, descentraliza o processo e o torna menos dependente da confiança em uma terceira pessoa. A própria blockchain faz o trabalho de validar as transações. 

NFT, os non fungible token

Conforme explicamos nas vantagens de se tokenizar um ativo, já é possível tokenizar a propriedade intelectual das pessoas e itens não fungíveis. Itens não fungíveis são aqueles que possuem valor único, são peças exclusivas e que não podem ser substituídas. Por exemplo, uma obra de arte de Pablo Picasso é um item não fungível pois não ser substituído, é um original do artista, portanto possui um valor subjetivo. 

Os NFTs são a representação digital do valor desses itens não fungíveis, uma maneira segura encontrada de desenvolver um novo negócio a partir da tokenização de ativos. São itens que  possuem escassez no universo digital, a partir da valorização da propriedade intelectual dos artistas criadores dos NFTs.

Ultimamente, o mercado de NFTs tem chamado muito a atenção e tem se tornado uma opção para os investidores, sobretudo com a expansão do mercado das DeFi, Finanças Descentralizadas.

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