Teoria de Dow: Conheça o conceito e como utilizá-la

A teoria de Dow é uma das bases mais sólidas e antigas da análise técnica e continua sendo bastante relevante para entender os movimentos dos ativos.

Por
Luiza Brito
18/2/2021
Teoria de Dow: Conheça o conceito e como utilizá-la

O mercado de ações e os estudos sobre investimentos são uma ciência praticamente centenária. Se engana quem acredita que uma técnica se torna obsoleta ou invalidada simplesmente pelo passar do tempo.

A Teoria de Dow, técnica muito semelhante às Ondas de Elliot, é mais um artifício que temos para conseguir identificar uma tendência e decidir se ela irá se firmar ou não. Quer entender quem foi o visionário que teve essa sacada há mais de 100 anos atrás, como usar hoje em dia essa teoria e se vale a pena ou não? Fique ligado no restante deste texto e acrescente mais uma técnica na sua expertise de trader!

O que mais você vai ver neste artigo:

  • O que é a teoria de Dow?
  • Os 6 fundamentos da teoria de Dow
  • Os índices já descontam tudo
  • O mercado tem 3 tendências
  • A tendência primária tem 3 fases
  • Os índices e médias devem confirmar uns aos outros
  • O volume deve confirmar a tendência
  • Uma tendência irá ocorrer enquanto não houver sinais de reversão
  • Porque a teoria de Dow é importante
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O que é teoria de Dow?

A Teoria de Dow é uma técnica para analisar gráficos de ativos de investimento em busca de indícios de alguma tendência. A teoria auxilia o entendimento dos movimentos dos preços do ativo em determinado período de tempo, e funciona de maneira bem semelhante às Ondas de Elliot.

Assim como outras técnicas de análises de investimento, é aconselhado o seu uso conjunto com demais técnicas para facilitar o entendimento do mercado e tornar a tomada de decisão mais assertiva e confortável.

Essa teoria é uma das mais icônicas do universo cripto, pois precisamos fazer uma viagem no tempo, até o século XIX e conhecer seu fundador Charles Dow. Charles Dow (1851 - 1902) foi uma figura história muito relevante e foi um dos principais fundadores do The Wall Street Journal, um dos jornais de maior circulação dos Estados Unidos. Além disso, o jornalista teve ainda um outro reconhecimento no mercado financeiro e seu nome foi atribuído ao índice Dow Jones,  um índice que é apurado de acordo coma  variação de preços e da representatividade das 30 maiores empresas americanas.

Charles era jornalista e na época, como possuía acesso à movimento do mercado financeiro, decidiu escrever artigos para seu próprio jornal. Com isso, o jornalista começou a perceber que as movimentações dos ativos não eram aleatórias, muito pelo contrário, possuíam embasamento, padrões e eram correlacionadas. Dow também percebeu que algumas coisas externas ao mercado financeiro, como outras atividades de negócios e eventos esporádicos de diferentes cunhos, também tinham capacidade de intervir no comportamento do gráfico.

Para a tristeza da humanidade este brilhante jornalista não conseguiu finalizar seu trabalho, vindo a falecer por complicações de saúde. Mas as coisas não ficaram assim, já que suas teorias, escritas em artigos, foram aprimoradas e organizadas pelos estudiosos S.A. Nelson, autor de “O ABC da especulação na bolsa”, William Peter Hamilton, Robert Rhea e George Schaefer. Assim, os estudiosos compilaram todos os editoriais e informações que Dow havia deixado e publicaram o livro em homenagem ao amigo “Teorias de Dow”, que apesar de não ter finalizado seu trabalho, foi muito reconhecido e honrado por ter percebido e desenvolvido toda a base da teoria.

Assim, foram criados os 6 princípios da Teoria de Dow, que busca relacionar e destrinchar o comportamento dos ativos, considerando sobretudo padrões gráficos, dados históricos de preços e o volume de negociações do tal ativo em análise.

Os 6 fundamentos da teoria de Dow

De acordo com os estudiosos que deram continuidade no trabalho de Dow, existem 6 principais fatores que influenciam mais fortemente na movimentação do ativo no gráfico.

Abaixo vamos esclarecer um pouco mais sobre cada um deles.

Os índices já descontam tudo

O primeiro fundamento é de que os índices já descontam tudo no preço. O que isso quer dizer?

Quer dizer que tudo o que acontece relacionado ao ativo, à instituição que emite o ativo (em caso de criptomoedas), ou que está vendendo as ações, é “descontado” na cotação dos preço praticamente instantaneamente. Notícias, reportagens bombásticas, escândalos, grandes aportes de compras por parte de instituições famosas e influentes, tudo isso reflete diretamente no preço, tanto para uma valorização quanto para uma desvalorização.

 Se isso já era uma verdade notável na época de Dow, imagine hoje em dia como este fundamento não ganhou ainda mais força? Com a internet e as redes sociais, as notícias conseguem ganhar uma dimensão gigante em muito menos tempo do que antigamente. E os impactos são até mais intensos também, uma vez que o próprio mercado investidor hoje em dia está muito mais rápido e dinâmico.

A única exceção que este fundamento ressalta, são relacionadas à eventos naturais, como tsunamis, terremotos, catástrofes, acidentes e até mesmo atentados terroristas. Como são totalmente imprevisíveis, assim como seus impactos à longo prazo na população, acredita-se que estes tipos de eventos não conseguem se refletirem no preço.

 O que podemos tirar de principal deste fundamento é que não é necessário realizar uma série de estudos e análises separadas sobre cada fato que vemos no universo social-político-econômico para calcular seus impactos nos ativos pois a própria especulação do mercado já faz isso por nós.

O mercado tem 3 tendências

Este fundamento explica que os preços dos ativos do mercado se em tendências: primária, secundária e terciária.

Esse talvez seja o fator que mais aproxima esta teoria com as Ondas de Elliot, pois categoriza as subidas e descidas dos ativos, e a principal forma de mensurar isso é pelo período de tempo em que a tendência permanece.

A tendência primária é a mais “forte”, que se mantem por mais tempo e geralmente é associada à tendência a longo prazo do ativo. Para esta tendência faz mais sentido analisar o mercado num período de anos, ao menos dois ou três, para verificar se ela é consolidada.

A tendência secundária geralmente é mais fraca, são as famosas correções de mercado, que acompanham o ativo quando ele tem uma queda ou subida brusca. Dessa forma, o mercado responde e o preço do ativo volta a “normalidade”, pode ainda continuar se valorizando, mas em níveis mais baixos. Para esta tendência é melhor se basear em análises mais curtas, de três semanas até alguns meses.

Já a tendência terciária, a última etapa que o ativo percorre,  seria um ajuste mais discreto em seu preço, para entendermos como ele se comporta em um período ainda menor de tempo. Nesta tendência faz sentido observar o movimento do gráfico em um  período de até três semanas, até menos, dependendo do que você está em busca de extrair com esta análise. Se o foco esta em entender as tendências do ativo a curto prazo, pode apostar no estudo desta terciária, que pode ainda ser um estudo das pequenas movimentações nas últimas duas tendências.

A tendência primária tem 3 fases

Este fundamento é dedicado a entender e analisar melhor a tendência principal do ativo, ou seja, a primária.

De acordo com Dow e os estudiosos que finalizaram seus estudos, dentro da principal tendência existem 3 subdivisões distintas: a fase da acumulação, da participação pública e da distribuição.

 A fase da acumulação, na linguagem dos traders, significa o momento ideal para compra. É o período em que os investidores já assimilaram os reflexos negativos de uma tendência de baixa e estão em busca de se recuperar. É o momento em que o mercado toma fôlego para reverter a tendência de baixa e fazer o ativo voltar a subir.

A fase da participação publica é justamente quando mais e mais investidores percebem que a tendência de baixa está começando a se reverter, o ativo em questão está dando os primeiros indícios de uma recuperação e com isso o desejo pela compra aumenta. A participação pública é exatamente a maior aderência dos traders à tendência que vêm se firmando. A consequência disso é um aumento no preço, deixando o movimento de alta mais perceptível.

A última fase, da distribuição, é quando o movimento de alta realmente ganha notoriedade e mais força, começando a ganhar destaque em jornais e demais veículos especializados neste tipo de comunicação. Com isso, a participação do público cresce ainda mais que na fase anterior e aqueles que se garantiram nas duas primeiras etapas, comprando seus ativos enquanto estavam com os preços mais baixos, já começam também a fazer o movimento de venda em busca do tão esperado lucro.

Os índices e médias devem confirmar uns aos outros

Acredito que neste momento você já sabe que a análise técnica de qualquer ativo em um mercado financeiro não é algo isolado, existem diversos indicadores que são capazes de nos oferecer diferentes entendimentos em busca de uma confirmação, ou não, da tendência do ativo.

Este ponto da Teoria de Dow entende que, tais indicadores, bem como as diferentes médias que podem ser calculadas, não podem indicar divergências entre si. Ou seja, os indicadores e os cálculos, mesmo que feitos e analisados isoladamente, precisam apontar a mesma tendência. Caso isso não ocorra, seria necessário rever os cálculos e análises para entender o que aconteceu e extrair um resultado mais assertivo.

Por exemplo, se estamos analisando uma criptomoeda A e seu preço apresentou uma valorização positiva nos últimos dias, mas o volume de negociações da criptomoeda está baixo, não podemos afirmar que houve uma confirmação de tendência, nem de baixa nem de alta.

O volume deve confirmar a tendência

Este fundamento parte do mesmo princípio de que os índices e as médias dos ativos devem se confirmar. Neste caso, dá se maior ênfase especialmente para o volume de negociações que estão ocorrendo no mercado sobre o ativo em questão.

A lógica é bem simples, quanto mais pessoas negociando um ativo em determinado momento, seja para compra ou para venda, mais chances tem de se confirmar a tendência (alta ou baixa).

Uma tendência irá ocorrer enquanto não houver sinais de reversão

Algumas pessoas também chamam este fundamento de princípio da inércia, fazendo uma alusão com uma das principais teorias da física, de que um corpo em um movimento uniforme permanecerá neste movimento até que uma força contrária ao movimento aja sobre o corpo.

Traduzindo para universo de investimentos, Dow compreendeu que um ativo permanecerá em sua tendência até que sinais de reversão apareçam e mudem seu curso.  Para identificar uma reversão os investidores podem se apoiar em alguns sinais, como os próprios indicadores que compõem a análise técnica, mudanças nos padrões gráficos, notícias que repercutem fortemente no mercado e têm alto poder de influência nos investidores, dentre outros fatores.

Porque a teoria de Dow é importante?

Charles Dow nos trouxe muitas outras soluções do que apenas a sua teoria propriamente dita. Sua contribuição com o universo financeiro-econômico foi gigante e ele conseguiu nos dar informações suficientes para construirmos a base do que hoje conhecemos por análise técnica de investimentos. Tudo isso é ainda mais impressionante quando pensamos que Dow percebeu e estruturou a teoria há mais de 100 anos atrás.

Se você está pensando que pelo fato da teoria ter seus fundamentos construídos há muitos anos atrás e que o mercado investidor já é totalmente diferente, por isso ela não seria ainda tão usual ou importante você está enganado.

Através deste artigo mesmo conseguimos perceber como todos os fundamentos trazidos por Dow e demais estudiosos se aplicam perfeitamente nos dias atuais. Inclusive, é possível aplicar toda a teoria nas criptomoedas tranquilamente, o que é considerado o setor mais inovador e disruptivo do mercado de investimentos da atualidade. Mesmo tendo um comportamento diferenciado de demais ativos e sendo carregada de tecnologia de ponta, a teoria pode ser adaptada e facilitar muito a compreensão das moedas nos gráficos.

Dow trouxe os princípios da análise técnica para a sociedade e, mesmo que tenhamos atualmente diversas ferramentas que nos auxiliam no entendimento técnico do mercado, a Teoria de Dow não deve ser descartada e tem muito a contribuir na identificação de tendências e na hora certa de agir, seja comprando ou vendendo. De uma forma ou de outra, se você está fazendo análise técnica, você está utilizando a Teoria de Dow.

Quer entender análise técnica de maneira descomplicada? Acesse nosso Guia Completo e tome decisões cada vez mais assertivas.

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