Por que o Bitcoin é cotado em dólar? Entenda o impatco para o BTC

Você sabe como o dólar afeta o preço do Bitcoin no Brasil? É importante acompanhar também a cotação do dólar para investir melhor em Bitcoin no Brasil. Entenda.

José Artur Ribeiro
Última atualização:
24/3/2026
Bitcoin
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Poucas pessoas param para pensar nisso, mas o Bitcoin não é cotado na moeda de cada país onde é negociado. Na prática, a referência global de preço do BTC é o dólar americano — e entender por que isso acontece ajuda qualquer investidor a interpretar melhor o mercado, especialmente no Brasil.

Neste artigo, você vai entender por que o Bitcoin é precificado em dólar, qual é a relação entre o BTC e outras moedas como o Yuan chinês e o Real, e como a inflação e o câmbio afetam seus rendimentos em criptomoedas.

Por que o Bitcoin é cotado em dólar?

De acordo com dados do Nomics, aproximadamente 90% do volume global de criptomoedas é negociado em dólar americano. Todas as demais moedas — euro, lira turca, real brasileiro e outras — somadas representam apenas 10% do total negociado nas exchanges.

Esse domínio do dólar não é por acaso. O USD é a principal moeda de reserva internacional, usada como referência em transações financeiras ao redor do mundo há décadas. No universo cripto, esse papel se manteve desde os primeiros anos do mercado, quando a maioria das exchanges relevantes operava nos Estados Unidos.

Mas o volume das exchanges representa apenas uma parte do mercado. Existe também o OTC (Over The Counter), ou mercado de balcão, mesas de negociação para grandes volumes que operam fora dos livros de oferta tradicionais das exchanges. Quando esse volume é considerado, a predominância do dólar fica ainda mais evidente.

Para ter uma ideia da dimensão: a Circle, uma única mesa de OTC, reportou movimentações de US$24 bilhões ao longo de 2018. No mesmo período, a Kraken — uma das exchanges mais tradicionais do mundo — registrou volume de aproximadamente US$58 bilhões nos últimos 12 meses. Ou seja, apenas uma mesa de balcão movimentou quase metade do volume de uma das maiores corretoras globais.

O Yuan chinês também influencia o preço do Bitcoin?

Sim. Em determinados períodos, é possível observar uma correlação entre a moeda chinesa (Yuan) e o preço do Bitcoin em dólar. Isso não significa, necessariamente, que uma causa a outra — mas em alguns momentos essa relação se mostrou muito forte para ser ignorada.

A China historicamente teve um papel relevante no mercado de criptomoedas, especialmente na mineração de Bitcoin. Quando o governo chinês altera sua política monetária ou impõe restrições ao mercado cripto, os efeitos tendem a se refletir no preço global do BTC.

Um exemplo prático dessa relação está nos níveis de preço. Certos patamares que aparentam não ter grande relevância quando analisados em dólar — como US$ 9.300 ou US$ 9.400 — mostram-se âncoras de preço muito mais fortes quando convertidos para Yuan. Isso sugere que parte significativa do mercado global precifica o Bitcoin com referência na moeda chinesa, não apenas no dólar.

Como o dólar afeta o preço do Bitcoin no Brasil?

Para o investidor brasileiro, entender a relação entre o Bitcoin e o dólar é especialmente importante — e vai além de apenas acompanhar a cotação internacional.

O volume de criptomoedas negociado em reais ainda é pequeno em comparação ao mercado global. Mas o impacto mais relevante está na desvalorização histórica do real frente ao dólar.

Um exemplo concreto ilustra bem esse ponto: o pico próximo de R$70 mil no preço do Bitcoin no final de 2017 correspondia a apenas US$14,8 mil na época — ante os US$19,7 mil no pico internacional. Parte dessa diferença se explica pela alta do dólar, que saiu de R$3,30 para patamares muito mais elevados nos anos seguintes.

Na prática, isso significa que o Bitcoin pode atingir sua máxima histórica em reais muito antes de superar sua máxima em dólar. Quem acompanha apenas a cotação em reais pode ter uma percepção distorcida do real desempenho do ativo no contexto global. Por isso, mesmo que você invista em reais, o acompanhamento do gráfico do Bitcoin em dólar é indispensável para uma análise mais precisa.

O que é o índice DXY e como ele se relaciona com o Bitcoin?

O DXY (Dollar Index) é um índice que mede a força do dólar americano em relação a uma cesta de moedas de países desenvolvidos, como euro, iene, libra e franco suíço.

A relação entre o DXY e o Bitcoin é, historicamente, inversamente proporcional: quando o dólar se fortalece, o Bitcoin e outros ativos de risco tendem a sofrer pressão de queda. Quando o dólar enfraquece, ativos alternativos — incluindo o BTC — costumam se valorizar.

Isso acontece porque um dólar mais forte reduz o apetite por ativos considerados mais arriscados ou especulativos. Já um dólar mais fraco incentiva os investidores a buscarem rendimentos em outras classes de ativos, incluindo criptomoedas. Acompanhar o DXY, portanto, pode ser uma ferramenta útil para o investidor que quer entender os movimentos macro que influenciam o preço do Bitcoin.

Como a inflação afeta seus rendimentos em criptomoedas?

Independentemente do tipo de investimento — renda fixa, ações, fundos ou criptomoedas —, a inflação é o ponto de partida para calcular rendimentos líquidos reais. Ela representa o custo do dinheiro ao longo do tempo: se o seu investimento não superar a inflação, você está perdendo poder de compra, mesmo que o saldo nominal aumente.

No Brasil, onde o real historicamente perde valor frente ao dólar e a inflação costuma ser relevante, esse ponto ganha ainda mais importância.

É aqui que o Bitcoin apresenta uma vantagem estrutural relevante: por não estar atrelado a nenhuma moeda nacional nem a nenhum banco central, ele não sofre os efeitos da emissão monetária dos países. Sua oferta é limitada a 21 milhões de unidades, com emissão programada e decrescente — o que o posiciona como um potencial ativo de proteção contra a desvalorização das moedas tradicionais.

Isso não significa que o Bitcoin seja isento de riscos ou volatilidade — ele é. Mas no longo prazo, ter uma exposição em criptomoedas pode funcionar como uma camada de proteção contra a inflação e a desvalorização do real, especialmente para investidores que pensam em horizontes mais longos.

O que o investidor brasileiro deve considerar ao analisar o Bitcoin?

Resumindo os pontos abordados neste artigo, o investidor brasileiro que acompanha o mercado de criptomoedas deve ter em mente:

  • Acompanhe o gráfico em dólar: o preço em reais pode criar distorções por conta da variação cambial;
  • Observe o DXY: um dólar mais forte tende a pressionar o Bitcoin para baixo, e vice-versa;
  • Fique atento ao Yuan: em determinados ciclos, a política monetária chinesa pode influenciar o preço global do BTC;
  • Considere a inflação: seus rendimentos reais precisam superar a inflação para que o investimento faça sentido;

Pense no longo prazo: a proteção contra a desvalorização do real é um dos argumentos mais sólidos para manter exposição em Bitcoin ao longo do tempo.

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Autor
José Artur Ribeiro
Um dos fundadores e CEO da Coinext. Economista formado pela Università di Roma (Itália) e investidor em criptomoedas desde 2014. Possui mais de 15 anos de experiência em cargos de liderança. Foi CFO da Hexagon Mining e CFO da Vodafone Brasil. Trabalhou também em multinacionais como Airbus Industries (França) e PricewaterhouseCoopers (Itália e Brasil).
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