
Este artigo é atualizado semanalmente às terças-feiras para trazer a análise técnica do Bitcoin e do mercado de criptomoedas. Você sempre verá:
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O Federal Reserve manteve a taxa de juros entre 3,50% e 3,75% na decisão de 29 de julho, mas a votação dividida, 9 a 3, com três presidentes regionais defendendo uma alta, deixou claro que o banco central segue mais próximo de um viés de aperto do que de corte. O presidente do Fed, Kevin Warsh, chamou o episódio de "uma boa briga de família", reforçando essa leitura.
Os dados divulgados na sequência aprofundaram essa percepção. O PIB do segundo trimestre cresceu apenas 1,5% em ritmo anualizado, desacelerando ante os 2,1% do primeiro trimestre, enquanto o PCE (índice de preços de consumo), a medida de inflação preferida pelo Fed, subiu a 3,7% ao ano, com o núcleo em 3,3%, acima do esperado. A combinação de atividade mais fraca com inflação em alta levou o mercado a elevar a probabilidade de uma alta de juros em setembro, que chegou a oscilar entre 73% e 82% segundo o CME FedWatch, o cenário mais provável para a próxima reunião do Fed.
Parte dessa pressão inflacionária vinha do petróleo, que chegou a romper US$ 90 por barril com a escalada entre Estados Unidos e Irã. Na segunda-feira, Trump afirmou ter suspendido uma ofensiva contra o país para abrir espaço a negociações, o que derrubou a commodity em mais de 4%. Nesta terça-feira, porém, o petróleo recupera parte da queda, para perto de US$ 82, depois que autoridades iranianas negaram estar em conversas diretas com os americanos, ainda que o Catar confirme a circulação de uma minuta de acordo entre as partes. Mesmo com essa indefinição, o S&P 500 segue em compasso de alta, renovando máxima histórica pelo quarto pregão seguido, em meio a uma temporada de resultados na qual cerca de 85% das empresas superaram as estimativas de lucro e a um ISM de manufatura de julho que veio em 55,6 pontos, o maior nível desde 2022.
Fora dos Estados Unidos, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão também mantiveram suas taxas na semana passada, mas ambos registraram dissidências favoráveis a uma alta, sinal de que o desconforto com a inflação não é exclusividade americana. Diante desse pano de fundo, Bitcoin e Ethereum seguem descolados do otimismo das bolsas, o que sugere que o mercado cripto está precificando o risco de um Fed mais duro em setembro com mais cautela do que a renda variável tradicional.
Confira o que marcou o mercado macroeconômico:
O CNN Fear & Greed Index passou por uma melhora relevante nos últimos dias: depois de marcar 37 pontos (Medo) em 28 de julho, em meio à venda em ações de semicondutores e à expectativa pela decisão do Fed, o indicador migrou para a zona "Neutra" no início de agosto, acompanhando a sequência de recordes do S&P 500.
A leitura sugere que o investidor tradicional voltou a se sentir confortável com o risco, mesmo sem uma resolução clara para a questão do Irã ou para o rumo dos juros em setembro.
O DXY opera perto de 99,97 pontos nesta terça-feira, abaixo da marca simbólica de 100 e com queda acumulada de 0,88% no mês, mesmo em um cenário de Fed mais hawkish.
A combinação chama atenção: normalmente, a perspectiva de juros mais altos sustentaria o dólar, mas o índice segue perdendo força, o que sugere que outros fatores, como o apetite por risco global e a resolução parcial da tensão no Oriente Médio, estão pesando mais sobre a moeda americana do que a política monetária no curto prazo. Um DXY mais fraco tende a ser um fator de suporte para Bitcoin e Ethereum, ainda que essa relação não tenha se confirmado com força na semana.
O petróleo devolve parte da escalada da semana passada, quando a intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã levou o Brent a romper US$100 o barril. Nesta terça-feira, o Brent recua cerca de 1,5%, para perto de US$ 87, e o WTI cede cerca de 1,2%, para US$81,6, movimento puxado por conversas entre Irã, Arábia Saudita e Omã sobre o futuro do Estreito de Ormuz. Ainda assim, o tráfego de navios na região segue drasticamente reduzido, reflexo de um conflito que se arrasta desde o fim de fevereiro, quando ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã levaram Teerã a restringir a passagem pelo estreito: apenas 15 embarcações cruzaram a via em 19 de julho, ante uma média histórica de cerca de 88 por dia.
A trajetória do petróleo nas próximas semanas é decisiva para validar, ou não, a leitura de desinflação que sustentou o CPI de junho, já que a queda de 5,7% nos preços de energia foi o principal motor da desaceleração da inflação para 3,5% em 12 meses. Do lado dos metais, o ouro cede cerca de 1%, para perto de US$4.030 a onça, e a prata recua entre 1,5% e 2%, para a faixa de US$ 57, ambos pressionados pelo fortalecimento do dólar e pela cautela generalizada antes da decisão do Fed: juros mais altos, ou a manutenção de um discurso mais duro, tendem a reduzir o apelo relativo de metais que não pagam rendimento.
O dado mais relevante da semana é o payroll de julho, na sexta-feira. Depois de um junho fraco, com apenas 57 mil vagas criadas, o mercado espera uma recuperação parcial, mas também uma alta no desemprego, para 4,3%. Um número muito acima do esperado reforçaria a leitura de que a economia ainda tem fôlego para absorver juros mais altos, favorecendo a tese de alta em setembro; um número fraco, por outro lado, devolveria força ao argumento de que o Fed já apertou o suficiente, mesmo com a inflação ainda incômoda.
O S&P 500 opera perto de 7.650 pontos nesta terça-feira, renovando máxima histórica pelo quarto pregão seguido. O movimento se apoia em dois pilares: a distensão parcial no Oriente Médio, que aliviou o prêmio de risco embutido no petróleo, e uma temporada de resultados que caminha para ser a mais forte desde o quarto trimestre de 2021, com o crescimento de lucros do índice podendo superar 29% na comparação anual.
Entre 85% e 88% das empresas que já divulgaram números superaram as estimativas dos analistas, com destaque para os setores de energia e de tecnologia, que lideram o crescimento de lucros do trimestre, puxados por nomes como Broadcom e AMD, no segmento de semicondutores, e Exxon Mobil e Chevron, entre as petroleiras.
Apesar do pano de fundo de incerteza geopolítica e monetária, o índice de volatilidade VIX opera perto de 16 pontos, patamar historicamente baixo, sinalizando um mercado ainda confortável com o cenário atual. Do lado da valuation, o P/L projetado para os próximos doze meses está em torno de 19,5 vezes, ligeiramente abaixo da média dos últimos cinco anos (19,9 vezes). Isso sugere que o mercado não está esticado a ponto de embutir um prêmio excessivo, mas também deixa pouca margem de segurança caso o cenário macro se deteriore.
A manutenção do ritmo forte de resultados, sobretudo em tecnologia e energia, combinada a uma solução negociada para a tensão com o Irã, abre caminho para a faixa entre 7.700 e 7.800 pontos. Um payroll de sexta-feira em linha ou abaixo do esperado, sem reacender o temor de alta de juros, sustentaria o rali até a região de 8.000 pontos, com o VIX permanecendo perto das mínimas do ano.
Consolidação entre 7.500 e 7.650 pontos, com o mercado equilibrando o otimismo dos resultados corporativos e a cautela em relação ao payroll de julho e ao desfecho ainda incerto das negociações com o Irã. Nesse cenário, o VIX tende a subir de forma moderada, para a faixa entre 17 e 20 pontos, sem indicar estresse relevante.
Uma virada de tom nas negociações com o Irã, com o petróleo voltando a testar os US$90 por barril, combinada a um payroll muito acima do esperado que reforce a tese de alta de juros em setembro, reabre espaço para uma correção até a faixa entre 7.300 e 7.150 pontos. Nesse cenário, o VIX tenderia a romper a casa dos 20 pontos, refletindo a compressão do prêmio de risco mesmo sem revisão relevante nas projeções de lucro.
A capitalização total do mercado cripto está em torno de US$2,27 trilhões, patamar ainda distante da máxima histórica de US$4,27 trilhões, de outubro de 2025.
A capitalização de stablecoins, por sua vez, segue em expansão e soma cerca de US$309,7 bilhões, com a USDT respondendo por 59% desse total, segundo dados da DefiLlama, sinal de que a liquidez em dólar digital dentro do ecossistema cripto segue crescendo mesmo em um momento de cautela nos preços.
Os ETFs à vista de Bitcoin somaram quatro sessões seguidas de captação líquida na entrada de agosto, incluindo cerca de US$ 132 milhões na sexta-feira, mesmo em um ambiente de aversão a risco mais amplo gerado pela decisão do Fed e pela escalada no Oriente Médio. Os ETFs de Ethereum, por outro lado, registraram saídas nesta terça-feira, pressionados pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e por uma atividade on-chain mais fraca, um contraste em relação à resiliência mostrada pelos fundos de Bitcoin na mesma janela.
O Bitcoin negocia perto de US$63,8 mil nesta terça-feira, com recuo marginal de 0,4% na semana e ganho mensal reduzido para 1,5%, ante os 6,3% acumulados até a semana anterior. O ativo chegou a cair cerca de 4,6% logo após a decisão do Fed, na semana passada, mas recuperou parte da perda na sequência.
O RSI (índice de força relativa) diário recuperou-se para a casa dos 53 pontos, saindo da região de sobrevenda observada semanas atrás e indicando um momento neutro, sem sinalizar nem excesso de otimismo nem de pessimismo. Do lado dos suportes, US$60 mil segue como a principal referência de curto prazo, seguida por US$58,3 mil em caso de deterioração mais ampla. As resistências mais próximas estão entre US$65 mil e US$66,8 mil, faixa que precisa ser recuperada para reabrir espaço até US$68 mil.
Os dados mais recentes e confiáveis sobre posicionamento em opções de Bitcoin na Deribit não puderam ser confirmados com precisão para o vencimento atual no momento desta análise; historicamente, o mercado de derivativos do BTC tem mantido um viés moderadamente comprador, com o open interest em calls superando o de puts nos vencimentos mais recentes. Recomenda-se acompanhar diretamente o painel da Deribit ou da CoinGlass para o nível de "max pain" mais atualizado antes de qualquer decisão baseada nesse dado.
A dominância do Bitcoin sobre o mercado cripto aparece com leituras divergentes entre as fontes consultadas, entre 56% e pouco mais de 60%, o que não permite cravar um número único, mas confirma a tendência: o Bitcoin segue concentrando a maior fatia do mercado, longe dos patamares que caracterizariam uma rotação para altcoins.
O Altcoin Season Index está na faixa dos 30 pontos, bem abaixo do patamar de 75 que confirmaria uma altseason. Na prática, o cenário de altseason segue distante enquanto o Bitcoin não estabilizar de forma consistente acima das resistências de curto prazo e o apetite por risco não se ampliar para além dos ativos de maior liquidez.
O Ethereum negocia perto de US$ 1,87 mil nesta terça-feira, recuperando parte da queda registrada na abertura do dia. Na semana, o ativo acumula recuo de 1,7%, pressionado por saídas em ETFs, alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e atividade on-chain mais fraca, contraste em relação à resiliência do fluxo institucional para o Bitcoin no mesmo período.
Os suportes relevantes estão em US$1,80 mil e US$1,75 mil. Para retomar força, o Ethereum precisa reconquistar a região de US$1,90 mil, o que abriria caminho para testar a resistência mais robusta, entre US$1,93 mil e US$1,95 mil. Uma confirmação acima desse patamar destravaria o cenário de alta até a faixa entre US$2,05 mil e US$2,1 mil.
No ecossistema, o valor total travado em contratos de DeFi (TVL) está em US$75,8 bilhões, segundo dados da DefiLlama, ainda distante dos patamares vistos no início de 2026, refletindo a correção mais ampla de preços e a queda na demanda especulativa por rendimento ao longo do ano. A Ethereum segue como a rede com a maior concentração de TVL do mercado, embora o percentual exato varie conforme a fonte consultada.
No plano técnico da rede, o desenvolvimento do upgrade Glamsterdam segue como o principal catalisador de médio prazo. Reagendado para o terceiro trimestre de 2026, o upgrade deve elevar o piso do limite de gás por bloco de cerca de 60 milhões para 200 milhões, além de separar as funções de construção e validação de blocos (ePBS), mirando um throughput de até 10 mil transações por segundo, cerca de dez vezes a capacidade atual da rede. O impacto direto sobre o preço no curto prazo é limitado, mas o avanço do Glamsterdam tende a reforçar a narrativa de longo prazo do Ethereum como infraestrutura de liquidação em maior escala.
Análise produzida pela equipe Coinext com base em dados públicos de mercado. Não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos de alto risco — invista apenas o que está disposto a perder.







