
Este artigo é atualizado semanalmente às quartas-feiras para trazer a análise técnica do Bitcoin e do mercado de criptomoedas. Você sempre verá:
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Os mercados globais chegam a esta segunda-feira (15/6) com um quadro radicalmente diferente do início da semana passada. O principal motor da mudança foi o anúncio, neste domingo, de um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã , um memorando de entendimento que prevê a cessação imediata das hostilidades, a reabertura do Estreito de Ormuz e a suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano. O barril de petróleo Brent caiu abaixo de US$ 100, o S&P 500 abriu com alta de 1,65% a 7.554 pontos e o Bitcoin saltou para a faixa dos US$ 66 mil.
O contexto, porém, não se tornou simples. A semana passada foi pesada para os ativos de risco: o CPI de maio, divulgado na quarta-feira (10/6), acelerou para 4,2% ao ano — pior resultado desde abril de 2023 —, puxado pela energia, que disparou 23,5% em reflexo direto da guerra com o Irã. O dado ampliou o dilema do Federal Reserve e chegou às mãos de Kevin Warsh às vésperas de sua estreia como presidente do banco central americano.
Agora o quadro virou: a causa central da aceleração inflacionária, o conflito geopolítico, começa a se dissipar, mas a leitura do CPI já está registrada. O que o mercado vai monitorar nos próximos dias é a interpretação que Warsh vai fazer desse cenário na reunião do FOMC de 16 e 17 de junho, a primeira sob seu comando. A probabilidade de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% é de 98,2%, mas o tom do comunicado e do gráfico de pontos (dot plot) definirão as expectativas para o restante do ano.
No mercado cripto, a semana passada foi marcada por uma correção severa seguida de reversão parcial. O Bitcoin chegou a operar abaixo de US$ 60 mil entre os dias 10 e 11 de junho — mínima não vista desde novembro de 2024 — antes de recuperar para a faixa dos US$ 63–64 mil no fim de semana. Hoje, com o cessar-fogo, o ativo opera perto de US$ 66 mil. O Ethereum acompanhou a recuperação e passou de US$ 1.650 para US$ 1.785, enquanto os ETFs de Bitcoin voltaram a registrar entradas líquidas após uma das maiores sequências de resgates da história desses fundos.
Confira o que marcou o mercado macroeconômico:
O índice de preços ao consumidor (CPI) de maio, divulgado na última quarta-feira (10/6), registrou alta de 4,2% em 12 meses — aceleração relevante sobre os 3,8% de abril e o pior resultado desde abril de 2023. O avanço mensal foi de 0,5%. O núcleo do CPI, que exclui alimentos e energia, avançou 2,9% ao ano, em linha com as expectativas. O componente de energia, no entanto, disparou 23,5%, reflexo direto da guerra entre EUA e Irã, que levou o barril de petróleo Brent a atingir US$ 120 em determinado momento da semana.
O que é o CPI? O índice de preços ao consumidor é o principal termômetro de inflação dos EUA, divulgado mensalmente pelo Bureau of Labor Statistics (BLS). Mede a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos pelas famílias americanas. Uma leitura acima do esperado reduz o espaço para cortes de juros; uma leitura benigna abre esse espaço.
Com o cessar-fogo anunciado hoje, a pressão energética que explica grande parte da aceleração tende a recuar nas próximas leituras. O mercado começa a precificar um CPI de junho mais comportado, o que pode devolver ao Fed algum espaço de manobra no segundo semestre.
Kevin Warsh, confirmado pelo Senado com 54 votos a 45 e empossado em 22 de maio, preside amanhã (16/6) sua primeira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC). A decisão sobre juros está precificada com 98,2% de probabilidade de manutenção na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. O que o mercado vai monitorar de perto é o Summary of Economic Projections e o gráfico de pontos (dot plot), que sinaliza quantos cortes os membros do comitê esperam para o restante do ano e se a primeira flexibilização permanece em 2026 ou escorrega para 2027.
O que é o dot plot? É um gráfico publicado pelo Fed a cada trimestre que mostra, de forma anônima, a projeção de cada membro do FOMC para a taxa de juros nos próximos anos. Cada ponto representa a estimativa de um integrante do comitê. Quando os pontos se concentram em patamares mais altos, o mercado interpreta como sinal de juros elevados por mais tempo — o que tende a pressionar ativos de risco, incluindo Bitcoin.
Warsh estreia com CPI ruim nas mãos, mas com o alívio geopolítico do cessar-fogo recente. Sua postura declarada é de prioridade ao combate à inflação. Qualquer mudança na linguagem do comunicado — especialmente a remoção de uma viés de afrouxamento, tenderia a pressionar ativos de risco.
Os principais dados a acompanhar:
O S&P 500 abre esta segunda-feira em alta de 1,65%, a 7.554 pontos, liderando os ganhos entre os principais índices americanos após o anúncio do cessar-fogo entre EUA e Irã. O índice havia recuado da máxima histórica de 7.609 pontos registrada em 2 de junho, pressionado pela leitura do CPI de maio acima do esperado e pelo temor de um Fed mais restritivo sob Warsh. Com o alívio geopolítico e a queda do petróleo abaixo de US$ 100, o mercado recupera parte do terreno perdido.
O acumulado do ano ainda é positivo: o S&P 500 sobe cerca de 9,2% em 2026, sustentado pelo ciclo de investimentos em inteligência artificial e pela resiliência do setor de tecnologia. A semana fecha com a atenção voltada para o FOMC de amanhã: se Warsh adotar tom neutro, o índice tem espaço para testar a máxima histórica novamente. Um comunicado mais hawkish recolocaria a faixa dos 7.200–7.300 pontos no radar como suporte.
FOMC com tom neutro e dot plot mantendo algum espaço para cortes em 2026, combinado à sustentação do cessar-fogo e petróleo abaixo de US$ 95, abriria caminho para o S&P 500 retomar a máxima histórica de 7.609 pontos e tentar romper a barreira dos 7.700.
Manutenção dos juros com comunicado sem surpresas e dot plot em linha com o esperado. O S&P 500 consolida entre 7.400 e 7.600 pontos enquanto o mercado aguarda os dados de inflação de junho, previstos para julho.
Tom hawkish de Warsh na coletiva, com sinalização de possível alta de juros ou remoção do viés de afrouxamento, pressionaria o índice de volta à faixa de 7.200–7.300 pontos — região que funcionou como suporte em maio.
A semana passada foi uma das mais voláteis do ano para o mercado cripto. O Bitcoin chegou a operar abaixo de US$ 60 mil — mínima não vista desde novembro de 2024 — gerando mais de US$ 1,5 bilhão em liquidações de posições alavancadas. A queda foi resultado de uma sequência de pressões: o CPI de maio acima do esperado, a continuidade das saídas nos ETFs de Bitcoin e uma transferência relevante de carteiras associadas à Mt. Gox.
A reversão veio em etapas. Na sexta-feira (12/6), os ETFs de Bitcoin à vista registraram entrada líquida de US$ 85,85 milhões — o primeiro inflow relevante após 13 dias consecutivos de resgates que haviam retirado US$ 4,33 bilhões dos fundos. No mesmo dia, o IPO da SpaceX na Nasdaq , listada a US$ 135 e encerrada com alta de 19%, o maior estreante da história do mercado americano, devolveu o apetite de risco ao mercado. Hoje, com o cessar-fogo, Bitcoin opera perto de US$ 66 mil e Ethereum a US$ 1.785.
Dois sinais merecem atenção adicional. O primeiro é a retomada da Strategy como compradora: após a venda simbólica de 32 BTC na semana anterior , que havia quebrado a narrativa de acumulação irrestrita da empresa, a companhia adquiriu 1.550 BTC por US$ 181 milhões, reafirmando seu papel de compradora corporativa sistemática. O segundo é o avanço do iShares Bitcoin Premium Income ETF (BITA), da BlackRock, cujo registro na SEC indica lançamento previsto para esta quinta-feira (19/6), um novo produto que permite ao investidor gerar renda com Bitcoin via estratégia de covered call.
O Bitcoin opera nesta segunda-feira ao redor de US$ 66 mil, após tocar a mínima de US$ 59,1 mil na semana passada. A recuperação de mais de 11% em poucos dias tem base em fatores concretos — retorno dos inflows nos ETFs, recompra da Strategy e alívio geopolítico —, mas o viés técnico ainda não foi revertido de forma definitiva.
A resistência imediata está na faixa de US$ 67,5 mil a US$ 68 mil, zona que o ativo precisa reconquistar com volume consistente para sinalizar estabilização mais sólida. Um fechamento semanal acima desse nível abriria espaço para testar a região dos US$ 73–74 mil, suporte anterior que agora funciona como resistência estrutural.
Fechamento acima de US$ 68 mil com volume comprador relevante sinalizaria retomada do viés construtivo no gráfico diário, abrindo espaço para teste da faixa de US$ 73–74 mil. Um rompimento dessa zona, acompanhado de retorno dos ETFs ao positivo de forma consistente, voltaria a colocar os US$ 80 mil no radar.
Oscilação entre US$ 63 mil e US$ 68 mil enquanto o mercado processa o resultado do FOMC. A faixa de US$ 63–64 mil atua como suporte tático nesse cenário.
Perda da faixa de US$ 63 mil reabriria pressão em direção ao suporte estrutural entre US$ 59 mil e US$ 61 mil. Esse cenário seria reforçado por um FOMC com tom mais restritivo do que o esperado ou pelo não cumprimento dos termos do cessar-fogo com o Irã.
A capitalização total do mercado cripto opera ao redor de US$2,33 trilhões nesta segunda-feira, com o Bitcoin respondendo por cerca de US$ 1,32 trilhão. O mercado recuperou terreno relevante em relação à mínima da semana passada, impulsionado pelo cessar-fogo e pelo retorno do apetite de risco global.
O nível de US$2,30–2,40 trilhões funciona como zona de referência para a tendência de curto prazo. Uma consolidação sustentada acima de US$ 2,50 trilhões seria o primeiro sinal de retomada de força mais ampla no mercado.
A dominância do Bitcoin opera ao redor de 56,7%, refletindo o movimento típico de períodos de instabilidade: investidores concentram capital no ativo mais líquido e consolidado do setor, reduzindo exposição às altcoins.
Em correções, as altcoins perdem capital mais rapidamente e demoram mais para se recuperar. A altseason — período em que as altcoins superam o Bitcoin em performance — tende a ficar distante enquanto a dominância do BTC permanecer acima de 55% e o mercado não apresentar um catalisador macro positivo claro e sustentado. O cessar-fogo de hoje é um passo nessa direção, mas a confirmação depende do FOMC desta semana.
O Ethereum opera nesta segunda-feira ao redor de US$1.785, recuperando da mínima de US$.650 registrada na semana passada. O ativo voltou a operar acima da média móvel de 200 dias, posicionada em torno de US$ 1.670, que havia funcionado como resistência por vários dias consecutivos.
O RSI em 14 dias está em torno de 42, ainda em território neutro mas com espaço para recuperação adicional. Os ETFs de Ethereum ainda registram saídas líquidas enquanto os de Bitcoin voltaram ao positivo — o que indica que o Ether segue em posição de maior fragilidade relativa e que sua recuperação depende, em grande parte, da sustentação do Bitcoin.
Os principais níveis a acompanhar:
Um fechamento diário acima de US$1.850 com volume consistente seria o primeiro sinal técnico de retomada mais sólida. Em um cenário favorável de FOMC neutro e cessar-fogo sustentado, o Ethereum poderia voltar a testar US$ 2.000 ainda em junho.







