Análise Semanal do Bitcoin: o que afeta o preço das criptomoedas hoje

O que está por trás dos movimentos do Bitcoin? Veja a análise semanal com foco técnico e macroeconômico, incluindo altcoins, ETFs e dados que movem o mercado.

Taiamã Demaman
Última atualização:
11/8/2026
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Este artigo é atualizado semanalmente às terças-feiras para trazer a análise técnica do Bitcoin e do mercado de criptomoedas. Você sempre verá:

  • Visão geral do mercado
  • Resumo macroeconômico com indicadores, com destaque para a economia dos EUA
  • Calendário macroeconômico, com os fatos que impactam os preços
  • Resumo do mercado cripto com destaques
  • Análise técnica do Bitcoin, Ethereum ou outras criptos em destaque.
  • Principais indicadores do mercado cripto (incluindo medo e ganância, dados on-chain, dominância do BTC, indicador de alteseason, entre outros).
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Visão geral do mercado

Os mercados globais entram nesta semana em um dos pontos mais sensíveis do calendário de agosto: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de julho nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, e do índice de preços ao produtor (PPI), na quinta. Os dois indicadores devem ajudar a confirmar, ou não, a leitura de desinflação gradual que sustenta a aposta em um corte de juros já na reunião de setembro do Federal Reserve.

O pano de fundo é de sinais mistos sobre a economia americana. Na última sexta-feira, o payroll de julho surpreendeu negativamente: a folha de pagamentos não agrícola caiu 23 mil vagas, revertendo a expectativa de criação de 83 mil postos de trabalho segundo o consenso da Dow Jones. A taxa de desemprego recuou para 4,1%, mas o movimento reflete, em boa parte, a saída de trabalhadores da força de trabalho, e não necessariamente uma demanda mais forte por mão de obra. Os salários também perderam ritmo, com alta anual de 3,2%, a menor variação desde maio de 2021. As maiores quedas de vagas vieram do setor público, com corte de 53 mil postos, e de comércio, lazer e hotelaria, enquanto construção e educação e saúde privadas registraram os maiores ganhos.

Apesar da fraqueza no mercado de trabalho, o setor de serviços segue resiliente. O ISM (Institute for Supply Management) de Serviços avançou para 54,1 em julho, ante 54,0 em junho, marcando o 25º mês consecutivo de expansão, com o índice de atividade empresarial subindo para 59,1 e o de novos pedidos para 57,2. Esse contraste entre um mercado de trabalho mais fraco e uma atividade de serviços ainda sólida reforça a leitura de uma economia em desaceleração controlada, não em contração abrupta.

Diante desse quadro, o mercado passou a precificar, com probabilidade estimada acima de 85% segundo o CME FedWatch, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros na reunião de 16 de setembro. A taxa básica americana está atualmente na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, mantida desde a última decisão do FOMC. É importante destacar que não há reunião do Federal Reserve nesta semana: o próximo encontro do FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) ocorre apenas em setembro, o que faz com que o CPI e o PPI desta semana funcionem como os principais termômetros para calibrar essa expectativa antes da decisão.

Para os ativos de risco, o conjunto de dados até aqui sustenta um ambiente de "boas notícias são boas notícias": crescimento moderado, inflação em trajetória de queda e juros com viés de baixa. Esse coquetel tem favorecido tanto as bolsas americanas, com o S&P 500 em máximas históricas, quanto uma recomposição gradual do apetite por risco no mercado cripto, ainda que sem euforia.

Resumo macroeconômico

Confira o que marcou o mercado macroeconômico:

Índice de Medo e Ganância: mercado Tradicional

O Fear & Greed Index da CNN, que mede o sentimento dos investidores no mercado acionário americano a partir de sete indicadores técnicos e de fluxo, está em 64 pontos, na zona de "Greed" (ganância). O indicador oscilou entre a neutralidade e a ganância ao longo da última semana, refletindo o apetite por risco sustentado pelos recordes do S&P 500 e pela expectativa de flexibilização monetária. 

Um índice em zona de ganância, sem chegar à "ganância extrema", ainda é compatível com a continuidade da tendência de alta nas bolsas, mas tende a deixar o mercado mais vulnerável a correções técnicas caso o CPI desta semana decepcione. 

Índice do Dólar (DXY)

O índice do dólar (DXY), que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de moedas globais, está próximo de 99,8 pontos, com recuo de cerca de 1,4% no acumulado do mês. O dólar mais fraco tende a ser um vento favorável para ativos de risco, incluindo criptomoedas, já que reduz o custo de oportunidade de manter posições em ativos não remunerados e melhora as condições de liquidez global. 

A maioria das grandes casas prevê que o DXY termine o segundo semestre de 2026 na faixa entre 92 e 96 pontos, um recuo adicional em relação aos quase 100 pontos do início de agosto, à medida que o ciclo de cortes do Federal Reserve avance sob a condução do presidente Kevin Warsh. Para o mercado cripto, essa trajetória de dólar mais fraco funciona como suporte estrutural, ainda que os efeitos costumem ser mais visíveis em janelas de várias semanas do que no dia a dia. 

Petróleo e commodities

O petróleo opera em alta nesta terça-feira, no quarto pregão consecutivo de ganhos, em meio à escalada de incertezas sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã. O WTI sobe para a faixa entre US$ 82 e US$ 83, e o Brent avança para perto de US$ 88, depois que a Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC) confirmou o terceiro ataque da semana a um de seus navios-tanque no Estreito de Ormuz. O movimento reverte parte do otimismo da semana passada, quando Irã e Omã sinalizavam proximidade de um acordo para a normalização do tráfego na via, essencial para o escoamento de boa parte da produção de petróleo do Golfo Pérsico.

As negociações perderam fôlego depois que Donald Trump condicionou qualquer avanço diplomático ao pagamento de uma compensação por parte do Irã por atos passados, resposta direta à exigência iraniana de que os Estados Unidos indenizem Teerã como pré-condição para a reabertura plena do estreito. Omã, mediador do processo, já alertou que os ataques recentes a embarcações ameaçam descarrilar as tratativas, mantendo elevado o prêmio de risco embutido no preço do barril, mesmo em um cenário de fundo marcado por excesso de oferta: a OPEC+ ampliou a produção ao longo do ano, e projeções de mercado apontam para um superávit global superior a 2 milhões de barris por dia em 2026.

A trajetória do petróleo nas próximas semanas é decisiva para a leitura do CPI desta quarta-feira: o item energia responde por parte relevante da variação mensal do índice, e uma escalada mais duradoura no Estreito de Ormuz tende a pressionar o resultado na direção contrária à desinflação que o mercado espera confirmar. Para o terceiro trimestre, projeções do J.P. Morgan apontam o Brent em média de US$ 86, recuando para US$ 80 no quarto trimestre, cenário que pressupõe alguma normalização do fluxo de navios pelo estreito.

Do lado dos metais, o ouro se mantém perto de US$ 4.400 a onça, próximo da máxima em sete semanas, sustentado pela busca por proteção em um ambiente de tensão geopolítica elevada. A prata acompanha o movimento e oscila entre US$ 65 e US$ 66, no maior nível desde junho, impulsionada tanto pelo apelo de segurança quanto pela perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos após o payroll fraco de julho.

Macrocalendário

O dado mais relevante da semana é, sem dúvida, o CPI de quarta-feira. O consenso projeta uma leitura anual de 3,4%, abaixo dos 3,5% de junho, com o índice mensal subindo cerca de 0,1%. Uma confirmação dessa desaceleração tende a reforçar a aposta em corte de juros em setembro e favorecer ativos de risco, incluindo Bitcoin e Ethereum. 

or outro lado, uma surpresa altista, especialmente no núcleo do índice, reabriria a discussão sobre o ritmo da flexibilização monetária e poderia provocar um movimento defensivo generalizado nos mercados, dado o quanto essa expectativa já está precificada. 

  • 🔴 Alta importância — CPI (índice de preços ao consumidor) de julho: quarta-feira, 8h30 ET
  • ⚠️ Média-alta importância — PPI (índice de preços ao produtor) de julho: quinta-feira, 8h30 ET
  • 🟡 Média importância — Vendas no varejo de julho e sentimento do consumidor da Universidade de Michigan: sexta-feira

S&P 500

O S&P 500 segue em máximas históricas, tendo renovado recorde de fechamento pela 26ª vez em 2026, negociado perto dos 7.757 pontos, com o Dow Jones também em recorde acima de 54.000 pontos. O movimento é sustentado por resultados corporativos do segundo trimestre acima do esperado, por uma recuperação do apetite por risco em tecnologia e pela expectativa de que o Federal Reserve inicie o ciclo de cortes em setembro.

Cenário otimista

Confirmação de desinflação no CPI e no PPI desta semana, combinada com dados de varejo resilientes, abre espaço para o índice testar a região entre 7.900 e 8.000 pontos ainda em agosto, à medida que o mercado precifica com mais convicção o corte de setembro.

Cenário moderado

Dados mistos levam a uma consolidação lateral entre 7.600 e 7.800 pontos, com o mercado aguardando mais clareza antes de estender os recordes recentes.

Cenário baixista

Uma surpresa altista no CPI ou no PPI, que reduza a probabilidade de corte em setembro, pode provocar uma correção até a faixa entre 7.400 e 7.500 pontos, revertendo parte do otimismo acumulado nas últimas semanas.

No mercado cripto

A capitalização total do mercado de criptomoedas está em torno de US$2,2 trilhões, um patamar que representa uma recuperação frente à mínima de aproximadamente US$ 2,05 trilhões registrada mais cedo neste ciclo, mas ainda distante dos US$4,27 trilhões de pico histórico, alcançados em outubro de 2025. 

A faixa entre US$2,05 trilhões e US$2,1 trilhões funciona hoje como o principal suporte de curto prazo, enquanto a região entre US$2,3 trilhões e US$2,4 trilhões representa a resistência mais relevante a ser superada para que o mercado retome uma trajetória de alta mais consistente. 

No mercado à vista

O fluxo institucional voltou a ganhar tração na última semana. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos captaram US$ 853,54 milhões em entradas líquidas entre os dias 3 e 7 de agosto, encerrando todas as cinco sessões em território positivo, a melhor semana desde meados de abril. O IBIT, da BlackRock, liderou com folga, somando US$693,64 milhões, o equivalente a mais de 80% do total captado pela categoria, seguido pelo FBTC, da Fidelity, com US$ 116,38 milhões, e pelo ARKB, da ARK 21Shares, com US$50,85 milhões.

O contexto, porém, ainda carrega cicatrizes: os ETFs de Bitcoin acumularam US$5,4 bilhões em saídas líquidas no primeiro semestre de 2026, o primeiro semestre negativo desde o lançamento dos produtos em 2024. A recuperação recente é relevante, mas ainda precisa se sustentar por mais semanas para reverter esse quadro. Do lado do Ethereum, os ETFs à vista somaram US$49,6 milhões em entradas líquidas no dia 7 de agosto, a quarta sessão consecutiva de captação positiva, com o ETHA da BlackRock à frente. Em agosto, pela primeira vez, os fluxos mensais para ETFs de Ether superaram os de Bitcoin, com captação de US$3,87 bilhões contra saídas líquidas de cerca de US$750 milhões nos produtos de Bitcoin, um sinal de rotação institucional parcial em direção ao Ethereum.

Análise Técnica do Bitcoin

O Bitcoin encerrou a última semana em compasso de espera, oscilando entre US$ 63 mil e US$ 65 mil, dentro de um canal lateral que já dura mais de uma semana. O ativo negocia perto de US$ 64,2 mil nesta terça-feira, após abrir o dia em queda de 1,4% frente à sessão anterior.

Do ponto de vista técnico, o suporte imediato está entre US$ 63 mil e US$ 63,8 mil. A perda dessa região abriria espaço para um recuo até a faixa secundária entre US$ 61,3 mil e US$ 62 mil. Na ponta de cima, a resistência mais próxima está em US$ 65 mil, nível que precisa de um fechamento consistente, preferencialmente no gráfico de quatro horas, para validar continuidade. Uma superação desse patamar tende a abrir caminho para os US$ 66,7 mil e, na sequência, para a região de US$ 67 mil.

O RSI (índice de força relativa) diário está na faixa dos 51 a 56 pontos, portanto em zona neutra, ligeiramente inclinada para o lado comprador, sem indicar sobrecompra ou sobrevenda. A leitura é compatível com um mercado que aguarda um catalisador, e não com uma tendência já definida em qualquer direção. Boa parte dos analistas técnicos projeta que o Bitcoin deve passar a maior parte de agosto entre US$58 mil e US$67 mil, com o fechamento do mês mais provável entre US$60 mil e US$64 mil, salvo uma surpresa relevante nos dados de inflação desta semana.

Mercado de opções

O open interest total em opções de Bitcoin voltou a se aproximar de US$ 36 bilhões, recuperando parte do espaço perdido nos meses mais fracos do primeiro semestre. Na Deribit, a maior exchange de opções cripto, o max pain, ou seja, o nível de preço em que a maior parte dos contratos expiraria sem valor, está concentrado perto de US$ 69,7 mil para os vencimentos de setembro e dezembro, recuando gradualmente para próximo de US$ 60 mil nas projeções para meados de 2027.

Essa concentração de max pain acima do preço à vista sugere que uma parcela relevante do posicionamento em calls (opções de compra) está alocada em faixas superiores às cotações atuais, o que é compatível com uma leitura de médio prazo mais construtiva entre os participantes do mercado de derivativos. Não há, até o momento, dados públicos consolidados sobre o ratio entre puts e calls especificamente para esta semana; o que se pode afirmar com base nas informações disponíveis é que a recuperação do open interest acompanha o retorno dos fluxos de ETFs, reforçando a leitura de que capital institucional está voltando a se posicionar no ativo, ainda que de forma gradual.

Dominância e indicador de Altseason

A dominância do Bitcoin sobre o mercado cripto aparece com leituras divergentes entre as fontes consultadas, entre 56% e pouco mais de 60%, o que não permite cravar um número único, mas confirma a tendência: o Bitcoin segue concentrando a maior fatia do mercado, longe dos patamares que caracterizariam uma rotação para altcoins. 

O Altcoin Season Index está na faixa dos 30 pontos, bem abaixo do patamar de 75 que confirmaria uma altseason. Na prática, o cenário de altseason segue distante enquanto o Bitcoin não estabilizar de forma consistente acima das resistências de curto prazo e o apetite por risco não se ampliar para além dos ativos de maior liquidez.

Analise do Ethereum

O Ethereum negocia perto de US$ 1,87 mil nesta terça-feira, recuperando parte da queda registrada na abertura do dia. Na semana, o ativo acumula recuo de 1,7%, pressionado por saídas em ETFs, alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e atividade on-chain mais fraca, contraste em relação à resiliência do fluxo institucional para o Bitcoin no mesmo período.

Os suportes relevantes estão em US$1,80 mil e US$1,75 mil. Para retomar força, o Ethereum precisa reconquistar a região de US$1,90 mil, o que abriria caminho para testar a resistência mais robusta, entre US$1,93 mil e US$1,95 mil. Uma confirmação acima desse patamar destravaria o cenário de alta até a faixa entre US$2,05 mil e US$2,1 mil.

No ecossistema, o valor total travado em contratos de DeFi (TVL) está em US$75,8 bilhões, segundo dados da DefiLlama, ainda distante dos patamares vistos no início de 2026, refletindo a correção mais ampla de preços e a queda na demanda especulativa por rendimento ao longo do ano. A Ethereum segue como a rede com a maior concentração de TVL do mercado, embora o percentual exato varie conforme a fonte consultada.

No plano técnico da rede, o desenvolvimento do upgrade Glamsterdam segue como o principal catalisador de médio prazo. Reagendado para o terceiro trimestre de 2026, o upgrade deve elevar o piso do limite de gás por bloco de cerca de 60 milhões para 200 milhões, além de separar as funções de construção e validação de blocos (ePBS), mirando um throughput de até 10 mil transações por segundo, cerca de dez vezes a capacidade atual da rede. O impacto direto sobre o preço no curto prazo é limitado, mas o avanço do Glamsterdam tende a reforçar a narrativa de longo prazo do Ethereum como infraestrutura de liquidação em maior escala.

Análise produzida pela equipe Coinext com base em dados públicos de mercado. Não constitui recomendação de investimento. Criptomoedas são ativos de alto risco — invista apenas o que está disposto a perder.

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Taiamã Demaman
Economista especializado em Web 3.0, é Líder de Pesquisa na Coinext.
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