Análise Semanal do Bitcoin: o que afeta o preço das criptomoedas hoje

O que está por trás dos movimentos do Bitcoin? Veja a análise semanal com foco técnico e macroeconômico, incluindo altcoins, ETFs e dados que movem o mercado.

Taiamã Demaman
Última atualização:
25/3/2026
Trading
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Este artigo é atualizado semanalmente às quartas-feiras para trazer a análise técnica do Bitcoin e do mercado de criptomoedas. Você sempre verá:

  • Visão geral do mercado
  • Resumo macroeconômico com indicadores, com destaque para a economia dos EUA
  • Calendário macroeconômico, com os fatos que impactam os preços
  • Resumo do mercado cripto com destaques
  • Análise técnica do Bitcoin, Ethereum ou outras criptos em destaque.
  • Principais indicadores do mercado cripto (incluindo medo e ganância, dados on-chain, dominância do BTC, indicador de alteseason, entre outros).
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Visão geral do mercado

A semana se encerra com a incerteza consolidada como cenário-base para as perspectivas econômicas globais. Enquanto os desdobramentos do conflito seguem pressionando as expectativas de inflação, o mercado precifica apenas 6,2% de probabilidade de alta na taxa de juros americana na reunião de abril, uma leitura que reflete, ao mesmo tempo, cautela e paralisia diante de um ambiente ainda sem definição clara.

O pano de fundo é conhecido: historicamente, cada 10% de alta no preço do Brent tende a adicionar entre 0,5 e 1 ponto percentual anualizado à inflação. Com o petróleo acumulando uma alta de quase 100% desde o início do ano, o impacto potencial sobre os preços ao consumidor pode chegar a uma adição de 5 a 10 pontos percentuais, caso o barril se mantenha sustentado acima dos US$100.

Na coletiva de imprensa após a reunião do FOMC do dia 18, Jerome Powell pintou um quadro de resiliência econômica, com o desemprego recuando para 4,4%, mas reconheceu o enfraquecimento do setor imobiliário como vetor de atenção. Diante das incertezas geopolíticas, o presidente do FED foi direto: "ninguém sabe" por quanto tempo o conflito continuará afetando a economia. No cenário atual, o banco central segue em compasso de espera, dependente dos dados, sem pressa para cortar ou elevar juros, enquanto aguarda maior clareza sobre a extensão do choque do petróleo.

Resumo macroeconômico

Confira o que movimentou os mercados no campo macroeconômico:

Medo e Ganância

O índice de medo e ganância recua para 15 pontos e retorna à faixa de extremo medo, refletindo um ambiente de aflição generalizada diante do agravamento das tensões geopolíticas. O movimento sinaliza uma convergência entre o deterioro do momentum técnico e o aumento das incertezas no campo externo, à medida que investidores adotam uma postura cada vez mais defensiva.

Macrocalendário

Nos Estados Unidos, os destaques da semana trouxeram leituras relevantes para o monitoramento do ambiente inflacionário. O índice de preços de importação (Import Price Index) de fevereiro, divulgado nesta quarta-feira (25/03), registrou alta de 1,1% nos preços de importações não relacionadas a combustíveis — o maior avanço desde março de 2022 — contra uma leitura anterior de apenas 0,2%. 

No campo das exportações, a surpresa também foi para cima: os preços avançaram 1,5%, ante expectativa de 0,5% e leitura prévia de 0,6%. O resultado reforça a leitura de que tarifas e custos energéticos seguem permeando a cadeia de preços de forma mais intensa do que o mercado antecipava.

Na sexta-feira (27/03), o relatório final de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan fecha o calendário da semana. A leitura deve capturar o impacto da alta acumulada nos preços da gasolina — já acima de 20% desde o início do conflito — e o aumento das preocupações com finanças pessoais em um ambiente de incerteza geopolítica crescente.

S&P500

O S&P 500 perde o principal suporte horizontal na região dos 6.750 pontos após cerca de 100 dias de distribuição, confirmando simultaneamente a tendência de baixa no gráfico mensal. O rompimento da linha de tendência de alta de longo prazo levou o índice a buscar amparo na faixa dos 6.575 pontos, nível que passa a ser monitorado de perto nos próximos fechamentos.

No campo dos gatilhos, a retomada de um viés mais otimista exige a recuperação e sustentação acima dos 6.858 pontos, com os 7.000 pontos funcionando como principal resistência técnica e psicológica do movimento.

Em um cenário moderado, um fechamento acima da tendência mensal na faixa dos 6.676 pontos — dentro do intervalo entre 6.751 e 6.629 pontos — preservaria a estrutura mínima de defesa e abriria espaço para retornos positivos ao longo de abril. Já uma leitura moderada-baixista se configuraria com fechamentos entre 6.573 e 6.676 pontos, mantendo o índice em território tecnicamente frágil sem recuperação plena da estrutura anterior.

Em um cenário pessimista, perdas abaixo dos 6.575 pontos iniciariam a busca pela região dos 6.180 pontos. Por fim, a confirmação de um bear market passaria pela perda da faixa entre 6.000 e 5.781 pontos, abrindo caminho para os 5.363 pontos — com a continuidade do movimento podendo estender os alvos para a faixa final entre 4.820 e 4.507 pontos.

No mercado cripto

Confira o que movimentou o mercado de criptomoedas:

Resiliência Regulatória e a Batalha pelo Yield das Stablecoins

O mercado cripto demonstra resiliência relativa frente à correção nos mercados tradicionais, sustentado pela força técnica acumulada e, sobretudo, pela crescente percepção de que o ambiente inflacionário dos próximos meses pode favorecer ativos alternativos.

No campo regulatório, o destaque da semana vem dos Estados Unidos. O CLARITY Act, agora em discussão no Senado após compromisso bipartidário anunciado em 20 de março pelos senadores Angela Alsobrooks (D) e Thom Tillis (R) — com apoio da Casa Branca —, traz em sua Seção 404 a proibição explícita de que provedores de serviços de ativos digitais paguem qualquer forma de juros ou yield associado exclusivamente à detenção de stablecoins de pagamento. O texto reforça a vedação já presente no GENIUS Act (2025) e fecha a brecha que permitia plataformas oferecerem rendimento indireto via afiliadas ou recompensas passivas.

Na prática, ao proibir yield por simples holding — mas preservar recompensas vinculadas a atividade real —, a proposta retira das stablecoins o apelo de "depósito remunerado", com potencial impacto direto sobre o volume retido em exchanges e sobre os modelos de receita do setor. O mercado já precificou parte desse risco: as ações da Coinbase recuaram 10%, enquanto as da Circle chegaram a cair 20%. A leitura predominante é de que a medida limita a capacidade do setor de competir com os sistemas de pagamento bancários tradicionais e representa um freio à inovação em DeFi.

Por trás da disputa está uma tensão estrutural: o lobby bancário, representado pela ABA e pelas cooperativas de crédito, argumenta que o yield passivo drena depósitos do sistema tradicional, com risco estimado em US$6,6 trilhões segundo o Tesouro americano. Do lado cripto, Brian Armstrong — que já havia retirado o apoio da Coinbase ao CLARITY Act em janeiro de 2026 — voltou a criticar o projeto, classificando-o como "pior que nada" por enfraquecer as stablecoins reguladas frente à concorrência global e prejudicar diretamente os usuários.

No mercado, o Bitcoin apresenta força modesta no spot e reabre a possibilidade de testar novamente a faixa entre US$71 mil e US$74 mil. A reversão da tendência de baixa no gráfico mensal, contudo, ainda depende de fechamentos acima dos US$91 mil ao fim de março — ou dos US$86 mil ao fim de abril. O Ethereum se mantém ancorado na região dos US$2 mil, com US$2,4 mil funcionando como alvo intermediário relevante por representar o centro do triângulo descendente observado nas tendências mensal e anual.

A capitalização total do mercado retorna à zona de compressão após a tentativa de rompimento, enfrentando agora a resistência da cunha descendente no gráfico mensal. Em um cenário corretivo, as regiões entre US$3,2 trilhões e US$4,74 trilhões surgem como referências de suporte, enquanto a continuação do movimento de alta implica em testes na faixa dos US$ 1,94 trilhão.

No mercado à vista

No mercado spot, o fluxo acumulado em março segue positivo em cerca de US$1 bilhão, ainda que um recuo recente de US$400 milhões tenha anulado parte das entradas registradas desde o dia 16. A leitura mensal permanece construtiva, mas exige uma confirmação mais robusta: o Bitcoin precisa superar a principal resistência do bear market para validar a continuação do movimento de alta com maior consistência.

Análise Técnica do Bitcoin

O Bitcoin recua, mas preserva aparente força local, com a faixa entre US$ 68 mil e US$ 69 mil funcionando como suporte de curto prazo e ponto pivotal para um novo reteste na zona de resistências que se estende até os US$ 74 mil, nível cujo rompimento em fechamento mensal seria suficiente para invalidar a tendência de baixa vigente.

No mercado, a combinação entre força no spot e posicionamento vendido nos futuros, ainda que mais modesta em relação ao início do mês, mantém viva a possibilidade de rompimento da faixa dos US$71 mil. Caso esse movimento se confirme, a principal resistência a ser enfrentada se concentra entre US$71 mil e US$74 mil, enquanto uma eventual superação dos US$82 mil abriria espaço para o próximo ponto de dificuldade, situado entre US$85 mil e US$87 mil. Na direção oposta, a perda do suporte de curto prazo entre US$68 mil e US$69 mil aumentaria a atenção para o suporte local na região dos US$61,5 mil como próxima referência de defesa.

Max Pain

O nível de máxima dor para o vencimento das opções em 27 de março, com valor nocional acumulado de US$14,36 bilhões, segue apontando para a manutenção do preço na faixa atual. Em termos práticos, essa estrutura favorece a permanência do Bitcoin entre US$72 mil e US$74 mil até a expiração, faixa que tende a representar a zona de maior equilíbrio para o mercado de opções no curto prazo.

Índice de Medo e Ganância

Após registrar 5 pontos em fevereiro — faixa de pânico extremo —, o índice de medo e ganância recua para 23 pontos, acompanhando o respiro observado no mercado cripto. O movimento indica uma leve recuperação no apetite por risco, ainda que o índice permaneça em território de extremo medo e sem sinalizar reversão mais consistente do sentimento.

Dominância do BTC (BTC.D)

No mercado de altcoins, a capitalização oscila entre os suportes de US$ 678 bilhões e US$ 789 bilhões, mantendo-se na faixa superior de consolidação. Em um ambiente de bear market, a leitura da dominância do Bitcoin ganha relevância como termômetro do comportamento relativo entre BTC e altcoins — sinalizando tanto a busca por fundos quanto eventuais janelas de rotação. 

Atualmente, o indicador opera na faixa laranja, zona que historicamente representa o equilíbrio entre os dois mercados e que será monitorada de perto nos próximos movimentos.

Análise Técnica do Ethereum (ETH)

Depois de uma tentativa frustrada de retomar a faixa dos US$2,4 mil, o Ethereum voltou para o patamar psicológico dos US$2 mil, que representa o centro da banda local delimitada entre US$1,4 mil e US$2,87 mil.

Pelos suportes observados em 2025, as regiões de US$1,7 mil e US$1,6 mil se destacam como os principais níveis locais capazes de conter um movimento de queda.

E quando o Ethereum pode voltar a subir?. Um sinal mais construtivo viria com o rompimento da faixa de US$2,2 mil, movimento que tenderia a ganhar força caso o Bitcoin também supere a região dos US$71 mil. Já se o BTC romper e conseguir se sustentar acima de US$74 mil ao longo do mês, o cenário favorece uma nova tentativa do Ethereum de buscar os US$2,8 mil.

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Autor
Taiamã Demaman
Economista especializado em Web 3.0, é Líder de Pesquisa na Coinext.
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