Análise Semanal do Bitcoin: o que afeta o preço das criptomoedas hoje

O que está por trás dos movimentos do Bitcoin? Veja a análise semanal com foco técnico e macroeconômico, incluindo altcoins, ETFs e dados que movem o mercado.

Taiamã Demaman
Última atualização:
13/5/2026
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Este artigo é atualizado semanalmente às quartas-feiras para trazer a análise técnica do Bitcoin e do mercado de criptomoedas. Você sempre verá:

  • Visão geral do mercado
  • Resumo macroeconômico com indicadores, com destaque para a economia dos EUA
  • Calendário macroeconômico, com os fatos que impactam os preços
  • Resumo do mercado cripto com destaques
  • Análise técnica do Bitcoin, Ethereum ou outras criptos em destaque.
  • Principais indicadores do mercado cripto (incluindo medo e ganância, dados on-chain, dominância do BTC, indicador de alteseason, entre outros).
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Visão geral do mercado

A semana é marcada pela confluência de pressões que vinham se acumulando nos últimos meses: o choque de oferta de petróleo provocado pela crise no Estreito de Ormuz, com o Brent sustentado acima de US$114 o barril, se materializa agora nos dados de inflação e o mercado precisa recalibrar suas expectativas para o restante de 2026.

O dado de CPI de abril, divulgado nessa terça-feira, trouxe a confirmação de que a pressão inflacionária não é transitória no sentido que os mercados gostariam. A inflação ao consumidor nos Estados Unidos acelerou para 3,8% na base anual, superando a projeção de 3,7% e atingindo o maior patamar desde maio de 2023. O componente de energia, que subiu 3,8% apenas no mês de abril, respondeu por mais de 40% do avanço total, um reflexo direto do bloqueio iraniano ao principal corredor marítimo de petróleo do mundo. Abrigo (+0,6%) e alimentos (+0,5%) completaram o quadro de pressão generalizada sobre os preços.

Para os mercados financeiros, o impacto é duplo. Primeiro, a possibilidade de cortes de juros no curto prazo se torna ainda mais remota: o CME FedWatch, ferramenta que mede as probabilidades implícitas de decisão do Federal Reserve, atribui agora 95,9% de chance de manutenção na reunião de junho. A próxima decisão do FOMC, marcada para 17 de junho, deve confirmar essa leitura de compasso de espera. Segundo, os ativos de risco operam em um equilíbrio frágil, sustentados por resultados corporativos e liquidez residual, mas vulneráveis a qualquer deterioração adicional no cenário geopolítico.

Ao mesmo tempo, o plano diplomático ganha relevância. No início de maio, os EUA lançaram a Operation Project Freedom para escolta de navios mercantes no Golfo, mas a operação foi pausada em 6 de maio diante de sinais de progresso nas negociações com o Irã. Fontes oficiais indicaram que um memorando de entendimento de 14 pontos estava em fase avançada, o que poderia destravar a reabertura parcial do Estreito de Ormuz, um evento que alteraria significativamente a dinâmica de preços de energia e, por consequência, as perspectivas inflacionárias.

Nesse contexto, os investidores navegam entre o otimismo cauteloso gerado pela resiliência das bolsas americanas, o S&P 500 fechou em 7.412 pontos, próximo da máxima histórica, e o risco concreto de que a inflação persistente limite a margem de manobra do novo presidente do Fed.

Resumo macroeconômico

Confira o que movimentou os mercados no campo macroeconômico:

Índice do Dólar (DXY)

O DXY, índice que mede a força do dólar americano frente a uma cesta de seis moedas principais, subiu para 98,27 na terça-feira — alta de 0,33% na sessão — impulsionado pelo dado de inflação mais forte do que o esperado. 

Um dólar mais forte tende a exercer pressão negativa sobre ativos de risco denominados em outras moedas, incluindo criptomoedas, já que encarece a exposição para investidores internacionais e reduz a atratividade relativa de ativos especulativos. A tendência de curto prazo do DXY depende diretamente da evolução das expectativas monetárias e do desenrolar das negociações no Oriente Médio.

Macrocalendário

Esta é uma das semanas mais carregadas do ano em termos de dados econômicos, com CPI, PPI, vendas no varejo e produção industrial concentrados em quatro dias consecutivos. Na próxima semana, a agenda é mais leve, mas traz leituras relevantes sobre o setor imobiliário e o sentimento do consumidor.

Os principais eventos a serem monitorados nesta semana concentram releases de inflação e decisões regulatórias de alto impacto. Na terça-feira (12/05), o CPI de abril — já divulgado em 3,8% ao ano — abre o calendário e estabelece o tom para os próximos movimentos do mercado. Na sequência, o PPI de abril sai na quarta-feira (13/05), complementando a leitura inflacionária com dados de preços ao produtor.

Na quinta-feira (14/05), o calendário se adensa: as vendas no varejo de abril oferecem um termômetro do consumo doméstico, enquanto o Comitê Bancário do Senado realiza a votação do CLARITY Act — evento de alta relevância para o mercado cripto e que pode definir os próximos passos da regulação de ativos digitais nos Estados Unidos.

A semana se encerra na sexta-feira (15/05) com o Empire State Manufacturing Survey, os dados de produção industrial e utilização da capacidade — e um marco institucional relevante: o encerramento do mandato de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve, com Kevin Warsh assumindo o cargo na sequência.

O PPI de quarta-feira e as vendas no varejo de quinta completam o retrato inflacionário iniciado pelo CPI. A transição na presidência do Fed na sexta — com Warsh substituindo Powell — é o evento institucional mais relevante da semana, dado que o novo presidente herdará um cenário de inflação persistente e pressão geopolítica sobre os preços de energia. Na próxima semana, os dados de construção residencial e o índice de Michigan medirão o impacto dos juros elevados sobre famílias e setor imobiliário.

S&P 500

O S&P 500 encerrou a sessão de segunda-feira em 7.412 pontos, a apenas 10 pontos da máxima histórica de 7.422 registrada no mesmo dia. O índice acumula uma recuperação expressiva desde as mínimas de abril, sustentado por resultados corporativos do primeiro trimestre que superaram as expectativas em diversos setores. No entanto, o dado de CPI de terça-feira introduz um fator de pressão que pode testar a sustentabilidade desses níveis.

  • Otimista: rompimento acima de 7.422 → alvo em 7.540–7.550
  • Moderado: consolidação entre 7.200 e 7.420 enquanto o mercado digere o CPI
  • Baixista: perda de 7.200 → correção em direção a 7.000–7.030

No mercado cripto

A capitalização total do mercado de criptomoedas está em US$2,67 trilhões, recuando 0,86% na sessão após o dado de inflação. O mercado formou dois topos próximos a US$2,72 trilhões no início de maio sem conseguir rompê-los, o que configura uma resistência de curto prazo nesse nível. Do lado do suporte, a região de US$2,55 trilhões — mínima da correção de abril — segue como referência estrutural. A leitura técnica permanece construtiva enquanto o mercado se mantiver acima desse patamar, embora a consolidação entre US$2,55 trilhões e US$2,72 trilhões sugira que um catalisador externo será necessário para definir a próxima tendência.

No mercado à vista

Os ETFs de Bitcoin spot nos Estados Unidos registraram entradas líquidas de US$623 milhões na semana encerrada em 8 de maio, marcando a sexta semana consecutiva de fluxo positivo. O IBIT, fundo da BlackRock, foi responsável por US$ 596 milhões — praticamente a totalidade do saldo semanal —, enquanto o ARKB (Ark & 21 Shares) contribuiu com US$53 milhões. Na ponta oposta, o GBTC (Grayscale) registrou saídas de US$ 62 milhões. O valor patrimonial líquido total dos ETFs de Bitcoin spot alcança US$ 106,6 bilhões, com entradas acumuladas de US$59,3 bilhões desde o lançamento. A persistência dos fluxos positivos, mesmo em semanas de volatilidade — como a saída de US$277 milhões em 9 de maio —, indica que o capital institucional mantém uma postura de acumulação estrutural, absorvendo recuos de preço como oportunidade de compra.

Análise Técnica do Bitcoin

O Bitcoin opera em torno de US$ 80.800 nessa terça-feira, devolvendo os ganhos da semana anterior após o CPI de abril confirmar a pressão inflacionária persistente nos Estados Unidos. A reação do mercado foi imediata: o ativo perdeu a faixa de US$ 82.000 que vinha atuando como resistência de curto prazo e retornou ao intervalo entre US$ 79.000 e US$ 82.200,  zona que tem definido a dinâmica de preço desde o início de maio.

Do ponto de vista técnico, a estrutura permanece lateral, mas com viés construtivo enquanto o suporte de US$79.000 for preservado. Esse nível coincide com uma antiga zona de resistência que se converteu em suporte após o rompimento altista de abril. Abaixo, o próximo patamar relevante está em US$75.000, onde há concentração significativa de liquidez comprada. Em caso de correção mais profunda, a média móvel de 100 dias — atualmente em US$72.352 — representa o limite técnico para a manutenção da estrutura de alta vigente.

Na ponta superior, um fechamento diário consistente acima de US$ 82.228 mudaria o quadro técnico e abriria caminho para testar US$ 85.000 — nível onde se encontra o Active Realized Price, indicador que acompanha o custo médio de toda a oferta não inativa na rede. A superação dessa marca colocaria o ativo em território de valorização para a maioria dos participantes do mercado, potencializando um movimento de aceleração rumo a US$ 91.000.

A dinâmica de fluxo reforça a leitura de que o mercado está mais posicionado para absorver quedas do que para capitular. Os US$ 623 milhões em entradas líquidas nos ETFs spot, combinados com a sexta semana consecutiva de saldo positivo, indicam que o capital institucional trata os recuos como janelas de acumulação — um padrão que tende a limitar a amplitude das correções.

Mercado de opções

O open interest em opções de Bitcoin atingiu o maior nível do ano, com a atividade concentrada em vencimentos de junho. A estrutura de posições mostra predominância de calls na faixa de US$85.000 a US$100.000, o que sugere que o mercado de opções precifica um viés de alta para o médio prazo, ainda que as condições macroeconômicas de curto prazo sejam adversas. Na ponta vendida, a concentração de puts entre US$70.000 e US$75.000 reforça a percepção de que o mercado vê esses níveis como piso de proteção razoável para o cenário atual.

A funding rate negativa de -0,0037% nas principais exchanges — com média de 30 dias em -5%, contra uma norma histórica de +8% — seria, em circunstâncias normais, um indicativo de dominância vendedora. Porém, o contexto atual sugere uma explicação diferente: instituições que compram Bitcoin à vista via ETFs estão simultaneamente vendendo futuros como estratégia de carry trade, capturando o diferencial entre os dois mercados sem fazer uma aposta direcional contra o preço. Essa dinâmica distorce a leitura convencional da funding rate e deve ser interpretada com cautela.

Dominância e indicador de Altseason

A dominância do Bitcoin — participação percentual do BTC no valor total do mercado cripto — está em 58,2%, um patamar elevado que reflete a preferência dos investidores pelo ativo de maior capitalização em períodos de incerteza macroeconômica. Enquanto a dominância se mantiver acima de 55%, o ambiente favorece a continuidade do fluxo concentrado no Bitcoin em detrimento de altcoins de menor capitalização.

O Altseason Index, indicador que mede quantas das principais altcoins superaram o Bitcoin em performance nos últimos 90 dias, registra entre 27 e 35 — bem abaixo do limiar de 75 que caracteriza uma temporada de altcoins. A leitura confirma que estamos em plena "Bitcoin Season", com o capital institucional direcionado prioritariamente ao BTC. Uma eventual rotação para altcoins dependeria de uma combinação de fatores: enfraquecimento do dólar, sinalização de cortes de juros pelo Fed e rompimento técnico do Bitcoin acima de US$85.000 — condições que, no cenário atual, parecem distantes.

Análise Técnica do Ethereum

O Ethereum opera em torno de US$2.310 nessa terça-feira, comprimido dentro de um triângulo simétrico que se forma no gráfico diário desde meados de abril. O padrão, caracterizado por topos descendentes e fundos ascendentes, indica que compradores e vendedores estão em equilíbrio temporário — mas que uma resolução de volatilidade se aproxima. A resistência imediata está na faixa de US$2.380 a US$2.400, nível que já repeliu ao menos três tentativas de rompimento nas últimas semanas. O suporte estrutural situa-se entre US$2.250 e US$2.280, onde compradores têm consistentemente entrado.

A correlação com o Bitcoin permanece elevada, e o ETH acompanhou a pressão vendedora provocada pelo CPI sem conseguir descolar. No entanto, os fundamentos do ecossistema oferecem perspectivas mais favoráveis do que a ação de preço sugere. Os ETFs spot de Ethereum acumularam dez dias consecutivos de entradas líquidas até o início de maio, com uma sessão de US$ 101 milhões em 1º de maio — o maior fluxo diário desde março. O valor bloqueado em DeFi (TVL) na rede Ethereum recuperou-se para US$45,7 bilhões, com o Ethereum detendo 68% do TVL global de DeFi — uma dominância estrutural que sustenta a demanda institucional pela rede.

O próximo catalisador técnico de peso é o upgrade Glamsterdam, previsto para junho de 2026, que promete triplicar a capacidade de processamento da camada 1 por meio de execução paralela e limites de gas mais elevados. A atualização pode alterar a percepção de valor do Ethereum no médio prazo, especialmente se coincidir com uma eventual rotação de capital a partir do Bitcoin — cenário que dependeria de uma flexibilização do ambiente macro e de uma queda sustentada na dominância do BTC abaixo de 55%.

O segmento ainda aguarda aprovação das emendas de staking de Fidelity, Franklin Templeton, Invesco, 21Shares e VanEck, que devem ser deferidas no segundo trimestre, momento em que praticamente toda a infraestrutura de ETF de ETH passará a oferecer rendimento embutido. A maturação dessa estrutura é o catalisador estrutural mais relevante para o ativo no horizonte de seis meses.

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Taiamã Demaman
Economista especializado em Web 3.0, é Líder de Pesquisa na Coinext.
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